Web Immagini Video Maps News Gruppi Gmail altro »
Gruppi visitati di recente | Guida | Entra
Home page di Google Gruppi
Messaggio della discussione su Fw: [monarquiadobrasil] Texto da Palestra de D. Luiz sobre a Princesa isabel.

Visualizza analizzati - Mostra solo testo dei messaggi

Received: by 10.35.59.5 with SMTP id m5mr5807114pyk.0.1206233333352;
        Sat, 22 Mar 2008 17:48:53 -0700 (PDT)
Return-Path: <edutern...@jatainet.com.br>
Received: from srv1-jti.jatainet.com.br (srv1-jti.jatainet.com.br [200.199.230.66])
        by mx.google.com with ESMTP id x46si6874105pyg.2.2008.03.22.17.48.41;
        Sat, 22 Mar 2008 17:48:53 -0700 (PDT)
Received-SPF: pass (google.com: best guess record for domain of edutern...@jatainet.com.br designates 200.199.230.66 as permitted sender) client-ip=200.199.230.66;
Authentication-Results: mx.google.com; spf=pass (google.com: best guess record for domain of edutern...@jatainet.com.br designates 200.199.230.66 as permitted sender) smtp.mail=edutern...@jatainet.com.br
Received: from localhost (localhost [127.0.0.1])
	by srv1-jti.jatainet.com.br (Postfix) with ESMTP id 1228EA3639;
	Sat, 22 Mar 2008 20:49:33 -0300 (BRT)
X-Virus-Scanned: amavisd-new at jatainet.com.br
Received: from srv1-jti.jatainet.com.br ([127.0.0.1])
	by localhost (srv1-jti.jatainet.com.br [127.0.0.1]) (amavisd-new, port 10024)
	with ESMTP id tyva8ALO7lS6; Sat, 22 Mar 2008 20:49:20 -0300 (BRT)
Received: from 01 (unknown [189.31.184.98])
	by srv1-jti.jatainet.com.br (Postfix) with ESMTP id 4E980A3635;
	Sat, 22 Mar 2008 20:49:07 -0300 (BRT)
Message-ID: <001501c88c7f$90d0d700$0e01010a@01>
From: <edutern...@jatainet.com.br>
To: "GRE - Friends of Monarchy" <friendsofmonar...@yahoogroups.com>,
	"GR - Amigos da Monarquia" <amigosdamonarq...@yahoogrupos.com.br>,
	"GRE - IBEM-RS" <ibemonarqui...@yahoogrupos.com.br>,
	"GRE - Monarchy-Monarquia" <monarchianus@googlegroups.com>,
	=?iso-8859-1?Q?GRE_-_Pol=EDtica_e_Monarquia_no_S=E9culo_21?= <polmonarqui...@yahoogrupos.com.br>,
	=?iso-8859-1?Q?GRF_-_Hist=F3ria_Mon=E1rquica_Brasileira?= <historiamonarquicabrasile...@yahoogrupos.com.br>,
	"GRF - Monarquia Brasileira" <monarquiabrasile...@yahoogrupos.com.br>,
	=?iso-8859-1?Q?GR-ESTMON_Estudos_Mon=E1rquicos_Yahoo?= <estudosmonarqui...@yahoogrupos.com.br>,
	=?iso-8859-1?Q?GR-ESTMON_Estudos_Mon=E1rquicos?= <estudos-monarquicos21@googlegroups.com>
Subject: Fw: [monarquiadobrasil] Texto da Palestra de D. Luiz  sobre a Princesa isabel.
Date: Sat, 22 Mar 2008 21:47:56 -0300
MIME-Version: 1.0
Content-Type: multipart/alternative;
	boundary="----=_NextPart_000_000E_01C88C66.63A88340"
X-Priority: 3
X-MSMail-Priority: Normal
X-Mailer: Microsoft Outlook Express 6.00.2800.1478
X-MimeOLE: Produced By Microsoft MimeOLE V6.00.2800.1478

This is a multi-part message in MIME format.

------=_NextPart_000_000E_01C88C66.63A88340
Content-Type: text/plain;
	charset="iso-8859-1"
Content-Transfer-Encoding: quoted-printable


----- Original Message -----=20
From: Jean Tamazato=20
To: monarquiadobra...@yahoogrupos.com.br=20
Sent: Saturday, March 22, 2008 9:55 AM
Subject: [monarquiadobrasil] Texto da Palestra de D. Luiz sobre a =
Princesa isabel.


Prezados amigos,

Segue a transcricao da palestra de D. Luiz. Desculpe o problema de=20
tabulacao, pois retirei isso de um forum da Lepanto e ja estava com o=20
problema.

Cordialmente,

Jean Tamazato

---------------

Palestra de S.A.I.R o Pr=EDncipe Dom Luiz de Orleans e Bragan=E7a
16 de agosto de 2006 - sede da Pr=F3 Monarquia

A Princesa Isabel - 160 anos

Atendi com muito prazer ao am=E1vel convite para falar =E0s
senhoras e
aos senhores sobre minha bisav=F3, a princesa Isabel, de mem=F3ria t=E3o
marcante,
que at=E9 o fim da vida soube representar aquilo que ela era, uma
princesa
brasileira, carinhosamente lembrada como a "Redentora" dos escravos.

Direi inicialmente algo sobre o contexto hist=F3rico, abordando
a
quest=E3o da escravid=E3o, e pouco a pouco irei introduzindo a Princesa
Isabel,
para apresentar a personalidade dela, sua atua=E7=E3o, comentando o que
ela
poderia ter sido para o Brasil, se houvesse reinado como Imperatriz -
o
modelo de grande dama brasileira.

O problema da escravid=E3o existiu desde quase o come=E7o da
Humanidade.
Na Antiguidade, estima-se que s=F3 10 por cento dos homens eram livres.
90 por
cento constitu=EDa a enorme massa de escravos que n=E3o tinham direito
algum. Os
senhores podiam fazer deles o que quisessem: vender, matar, mutilar;
usar
como cobaia; fazer os piores horrores que se possam imaginar. As
uni=F5es, os
casamentos dos escravos podiam ser desfeitos ao bel prazer do senhor.
Eram
tratados como animais.

A Igreja Cat=F3lica, com a convers=E3o do Imp=E9rio Romano do Ocidente, =
se
empenhou em eliminar pouco a pouco a escravid=E3o. Ela n=E3o o fez de =
uma
s=F3
vez, pois causaria tais sobressaltos, que seria um perigo para a
sociedade e
para os Estados. Eu cito aqui um texto de Le=E3o XIII, uma enc=EDclica =
de
5 de
maio de 1888: "N=E3o quis a Igreja apressar-se em obter a =
emancipa=E7=E3o e
a
liberta=E7=E3o dos escravos, posto que isso n=E3o podia realizar-se sem
alvoro=E7o e
sem preju=EDzo para eles pr=F3prios e para as na=E7=F5es, mas =
preocupou-se
principalmente por que fossem as almas dos servos instru=EDdas,
conforme as
suas capacidades, na religi=E3o crist=E3 e que estes adotassem costumes =
em
concord=E2ncia com o batismo recebido".

Quer dizer, a Igreja primeiro tratou das almas. Primeiro
tratou das
mentalidades. Depois, pouco a pouco, foi erodindo a institui=E7=E3o da
escravid=E3o. Le=E3o XIII continua: "Pacificadas depois as coisas, e
tranq=FCilos
os tempos para a Igreja, os ensinamentos apost=F3licos sobre a uni=E3o
fraternal
dos esp=EDritos entre os crist=E3os foram expostos com admir=E1vel
sabedoria pelos
Santos Padres e aplicados com igual caridade em defesa dos escravos,
esfor=E7ando-se em refutar que o direito dos senhores sobre o trabalho
dos
escravos fosse de absoluta honestidade; e que, sobretudo, fosse de
modo
algum l=EDcito ao seu poder imperioso e =E0 sua cruel sev=EDcia atentar
contra
suas vidas".

A partir de Carlos Magno, que reinou de 760 a 815, no
Ocidente a
escravid=E3o praticamente desapareceu. No s=E9culo 9o, segundo o autor
americano
Rodney Stark em seu livro "A Vit=F3ria da Raz=E3o", a escravid=E3o =
deixou de
existir na Europa. Vou cit=E1-lo: "A escravid=E3o acabou na Europa
medieval
somente porque a Igreja estendeu seus sacramentos a todos os escravos
e
depois trabalhou para impor a proibi=E7=E3o da escravid=E3o de =
crist=E3os e de
judeus. No contexto da Europa medieval, essa proibi=E7=E3o foi de modo
efetivo,
uma lei de aboli=E7=E3o universal". Continuou a haver escravid=E3o no =
mundo
isl=E2mico, onde, conforme explica o autor, "h=E1 uma =FAnica e =
insuper=E1vel
barreira para a condena=E7=E3o da escravid=E3o: Maom=E9 comprou, vendeu,
capturou e
possuiu escravos".

Hoje em dia, no Isl=E3, ainda h=E1 escravos. Isso n=E3o =E9 contado
na
m=EDdia em geral, mas h=E1 escravid=E3o, e uma boa parte do problema da
Som=E1lia e
daqueles pa=EDses do leste da =C1frica prov=E9m do fato de que os =
maometanos
procuram escravizar os crist=E3os e torn=E1-los seus animais de =
servi=E7o.

Na Antiguidade, explica esse autor, o conceito de liberdade
n=E3o
existia. S=F3 havia o conceito de sujei=E7=E3o. O conceito de liberdade =
foi
introduzido no Ocidente pela Santa Igreja Cat=F3lica Apost=F3lica =
Romana.

Paulatinamente a escravid=E3o foi sendo substitu=EDda por um
regime
muito mais suave, que hoje em dia =E9 demonizado, mas que de fato era
completamente diferente da escravid=E3o - a servid=E3o da gleba. O servo
da
gleba era algu=E9m que recebia de um senhor um peda=E7o de terra e era
obrigado
a cultiv=E1-la. Cultiv=E1-la para seu proveito. Podia se casar. Podia
legar essa
gleba. Podia juntar um pec=FAlio. Podia, se quisesse, deix=E1-la, embora =
a
perdesse se a deixasse. Tinha unicamente que dar um dia da semana de
trabalho ao senhor. Um dia da semana de trabalho por semana
corresponde a um
sexto do que ele trabalhava.

Eu pergunto =E0s senhoras e aos senhores: hoje em dia, com mais
de 38
por cento do PIB do Brasil absorvido pelo Estado, quem tem uma sorte
mais
cruel: o servo da gleba da Idade M=E9dia, ou n=F3s, pobres cidad=E3os
livres de
uma rep=FAblica democr=E1tica? N=E3o h=E1 compara=E7=E3o poss=EDvel!

Os senhores tinham obriga=E7=F5es para com seus servos. Tinham que
administrar a justi=E7a e ajud=E1-los em casos de pen=FAria ou =
calamidade. O
castelo era, por assim dizer, o celeiro de toda a comunidade, onde se
guardavam os gr=E3os para as =E9pocas de m=E1s colheitas.

O senhor tinha obriga=E7=E3o de proteger seus servos em caso de
ataques
de inimigos. E os servos s=F3 podiam ser chamados =E0s armas se o seu
torr=E3o
fosse atacado. Eles n=E3o podiam ser recrutados, de maneira
compuls=F3ria, para
acompanhar seu senhor numa guerra contra outro senhor ou numa guerra
externa. N=E3o havia o que s=F3 surgiu nos s=E9culos 19 e 20 - o =
servi=E7o
militar
obrigat=F3rio. Os servos eram livres.

Em Portugal n=E3o houve servid=E3o da gleba. Passou-se da
escravid=E3o
diretamente para o regime do senhorio, com camponeses livres. Na
Espanha
tamb=E9m n=E3o havia. S=F3 na Catalunha houve feudalismo, e portanto =
servos
da
gleba. No resto do pa=EDs, n=E3o os houve. Mesmo a servid=E3o da gleba =
na
Catalunha foi abolida em 1486, por Fernando o Cat=F3lico.

No s=E9culo 15, na Fran=E7a, a servid=E3o da gleba j=E1 havia
desaparecido
completamente. Na Alemanha, estava sendo abolida nas prov=EDncias mais
do sul,
continuando ao leste. No leste europeu - eu incluo a =C1ustria, a
Hungria, a
Checoslov=E1quia - um pouco, mas muito mitigada sempre pelo trabalho da
Igreja. Na Pol=F4nia, e principalmente na R=FAssia, a servid=E3o da =
gleba se
prolongou por mais tempo.

Com a Renascen=E7a voltou a escravid=E3o. Por que voltou?

O homem medieval era profundamente religioso. Ele tinha a
no=E7=E3o de
que sua finalidade principal era servir a Deus, amando-o sobre todas
as
coisas, e ter amor ao pr=F3ximo por amor de Deus. Em conseq=FC=EAncia,
ficou muito
facilitado o trabalho da Igreja pela aboli=E7=E3o da escravid=E3o e da
servid=E3o.
Entretanto, na Renascen=E7a voltou a aparecer o ideal de felicidade
pag=E3 do
gozo da vida.

Como diz muito bem o Prof. Plinio Corr=EAa de Oliveira em seu
livro
Revolu=E7=E3o e Contra-Revolu=E7=E3o, na Renascen=E7a voltou o ideal de =
vida de
satisfazer o orgulho e a sensualidade, como os antigos romanos, os
antigos
gregos, os antigos eg=EDpcios. E com isso o ego=EDsmo, o =
antropocentrismo
substituiu o teocentrismo medieval. E o homem, por via de
conseq=FC=EAncia,
voltou a ser o lobo do pr=F3prio homem. O gozo da vida era para ser
alcan=E7ado
a qualquer pre=E7o, a qualquer custo, passando por cima dos direitos,
das
conveni=EAncias. A Renascen=E7a foi uma volta colossal do paganismo
antigo, com
todas as suas abomina=E7=F5es.

=C9 verdade que, pela a=E7=E3o da Igreja, o Cristianismo ainda tinha
ra=EDzes muito profundas, que continuaram at=E9 nossos dias, embora se
erodindo
pouco a pouco, como =E9 magistralmente bem descrito no referido livro
do Prof.
Plinio Corr=EAa de Oliveira. Mas voltaram v=E1rias aberra=E7=F5es.

A Am=E9rica foi a regi=E3o onde espanh=F3is e portugueses
encontraram
pretexto para restaurar a escravid=E3o. Muitos afirmavam que os =EDndios
e os
negros n=E3o tinham alma, e que portanto eram verdadeiros animais.
Entretanto
a Igreja, desde o come=E7o, se levantou contra isso.

Carlos V consultou o Papa Paulo III sobre se era l=EDcito escravizar os
=EDndios. E a resposta de Paulo III =E9 lapidar. Na bula de 9 de junho =
de
1537
ele afirma: "A mesma verdade, que nem se pode enganar nem ser
enganada,
quando mandava os pregadores de sua F=E9 a exercitar esse of=EDcio,
sabemos o
que disse: Ide e ensinai a todas as gentes.A todas disse,
indiferentemente,
porque todas s=E3o capazes de receber a doutrina de nossa F=E9. (...) =
Sob
pretexto de que s=E3o incapazes de receb=EA-la, os p=F5em em dura =
servid=E3o,
e os
afligem e oprimem tanto, que ainda a servid=E3o em que t=EAm seus =
animais
apenas
=E9 t=E3o grande com que afligem a esta gente. N=F3s outros, pois, que
ainda que
indignos temos as vezes de Deus na terra e procuramos com todas as
for=E7as
achar suas ovelhas, que ainda est=E3o perdidas fora de seu rebanho, para
lev=E1-las a ele, pois este =E9 nosso of=EDcio; conhecendo que aqueles
mesmos
=EDndios, como verdadeiros homens, n=E3o somente s=E3o capazes da f=E9 =
de
Cristo,
sen=E3o que acodem a ela, correndo com grand=EDssima prontid=E3o, =
segundo
nos
consta; e querendo promover nestas cousas de rem=E9dio conveniente, com
autoridade Apost=F3lica, pelo teor das presentes, determinamos, e
declaramos,
que os ditos =EDndios, e todas as mais gentes que daqui em diante
vierem =E0
not=EDcia dos crist=E3os, ainda que estejam fora da F=E9 de Cristo, =
n=E3o
sejam
privados, nem devem s=EA-los, de sua liberdade, nem do dom=EDnio de seus
bens, e
que n=E3o devem ser reduzidos =E0 servid=E3o. Dada em Roma, ano de 1537,
aos 9 de
julho, ano terceiro de nosso pontificado".

Fechou a quest=E3o. Roma locuta, causa finita. Uma
linguagem
que d=E1 saudades!

A Igreja, apesar de tudo, tolerou a escravid=E3o dos negros.
Por sua
doutrina, ela fazia com que eles fossem mais bem tratados aqui na
Am=E9rica do
Sul e na Am=E9rica Central. Muito mais bem tratados que entre os
pag=E3os. Ela
batizou os negros aqui trazidos. Casava-os segundo o rito cat=F3lico.
Empenhava-se para que os casais n=E3o fossem separados, e eles
escapavam - foi
essa a raz=E3o que levou a Igreja a toler=E1-la - a uma sorte muito mais
cruel,
se permanecessem como escravos na =C1frica.

A partir de fins do s=E9culo 17 e durante o s=E9culo 18, os =
territ=F3rios
portugueses da =C1frica foram governados pelos vice-reis do Brasil.
Portanto,
tudo que se tratava em =C1frica passava primeiro pelo Brasil. D. Jo=E3o =
VI
mandou o padre Vicente Pereira Pires, um baiano, como enviado junto
ao rei
do Daom=E9, para fazer uma alian=E7a, um tratado. O que ele relata do =
que
viu =E9
espantoso. Naturalmente ele conta que os escravos que os portugueses
traziam
para c=E1 eram comprados de outros reis negros, quando n=E3o de =
mercadores
=E1rabes. Ele relata o tratamento que os escravos tinham na =C1frica. =
S=E3o
coisas
atrozes!

Quando algum escravo desagradava o rei negro, ele era
enterrado at=E9
o pesco=E7o e mantido at=E9 a morte sob o sol escaldante, untado com uma
subst=E2ncia que atra=EDa os insetos. E se queria construir uma nova
cho=E7a, para
fazer uma certa argamassa ele mandava sangrar algumas centenas de
escravos,
como se sangra um animal. Recolhia aquele sangue, misturava com barro
e
fazia os tijolos para construir a cho=E7a. O fato =E9 que, quando =
aqueles
escravos - que eram prisioneiros de guerra - sabiam que iam ser
vendidos
para mercadores portugueses, davam vivas, pulavam de alegria, porque
sabiam
que iam ter uma sorte muito mais humana do outro lado do Atl=E2ntico.
Not=EDcias
disso atravessaram o oceano, e os negros da =C1frica sabiam dessa
realidade.

Os negros que vinham para o Brasil encontravam senhores
cat=F3licos.
N=E3o s=F3 isso, mas encontravam uma virtude tipicamente brasileira, que
=E9 a
grande bondade que impera em nosso Pa=EDs, herdada de Portugal, e que
aqui,
por assim dizer, se alargou de uma maneira extraordin=E1ria.

H=E1 mil exemplos de como os escravos eram bem tratados por seus
senhores. Fala-se muito mais do tronco, do a=E7oite, mas quase n=E3o se
fala da
dedica=E7=E3o que os escravos tinham pelos seus senhores. Isso s=F3 se =
d=E1
quando
h=E1 bons tratos. A m=E3e-preta, a ama-de-leite que amamentava o filho =
do
patr=E3o, e que depois se tornava ama-seca e como que uma segunda m=E3e
para o
filho do patr=E3o, permanecendo na fam=EDlia at=E9 a morte.

O pior escravagista - segundo o mito, bar=E3o de Cotegipe,
chefe da
bancada escravagista - quando ia ao Parlamento, ia de carruagem e
levava
consigo, al=E9m do cocheiro, um menino negro para levar recados, levar
uma
coisa aqui, acol=E1 etc. Se come=E7ava a chover, o bar=E3o dizia: =
Zezinho,
Zezinho, vem c=E1, entra aqui na carruagem, para n=E3o pegar um =
resfriado.
Praticamente tratava-o como filho. E esse era o chefe dos
escravagistas no
Parlamento!

O Prof. Plinio Corr=EAa de Oliveira contava que sua av=F3, Da.
Gabriela
Ribeiro dos Santos, uma grande senhora que marcou muito a sociedade
paulista
no fim do s=E9culo 19 e in=EDcio do s=E9culo 20, costumava conversar
longamente
com uma velha ex-escrava. Entretinham-se, recordando os velhos
tempos. Quer
dizer, era tratada como um membro da fam=EDlia. E n=E3o eram =
exce=E7=F5es.
Era a
regra geral em nosso grande, querido e bondoso Brasil.

Os escravos =E0s vezes eram castigados. Mas conta-se que em
muitos
casos o fazendeiro dizia para a filha: Olha, vou ter que chicotear tal
escravo; quando o feitor levantar o chicote, voc=EA vem e me pede
miseric=F3rdia. =C9 bem t=EDpico do jeitinho brasileiro!

Eles tinham tamb=E9m a possibilidade de comprar a pr=F3pria
liberdade. A
alforria era uma institui=E7=E3o. Poucos sabem que a Caixa Econ=F4mica =
foi
fundada
para que os negros pudessem depositar suas economias, fazer um
pec=FAlio, e
finalmente comprar a liberdade.

Os escravos que obtinham a liberdade, freq=FCentemente ficavam
com
seus senhores. Recebiam um peda=E7o de terra. Alguns voltaram para a
=C1frica, e
l=E1 se tornaram elite, pois tinham recebido a influ=EAncia da sabedoria
crist=E3.
No meio da barb=E1rie dos seus cong=EAneres, faziam fortuna. Tornaram-se
grandes empres=E1rios, pol=EDticos etc. E a superioridade dos negros
brasileiros
=E9 reconhecida na =C1frica - em Daom=E9, no Benin, na Costa do Marfim. =
Isso
mostra como foi vantajoso para os negros virem para o Brasil, apesar
do
regime de escravid=E3o que, embora reprov=E1vel, foi tolerado como um =
mal
menor.

A Fam=EDlia Imperial se empenhou desde o come=E7o pela aboli=E7=E3o.
D.
Pedro I quis incluir uma cl=E1usula com a aboli=E7=E3o da escravid=E3o =
na
primeira -
e =FAnica! - constitui=E7=E3o do Imp=E9rio. Foi Jos=E9 Bonif=E1cio que o =
demoveu,
dizendo que uma medida de t=E3o grandes conseq=FC=EAncias causaria
convuls=F5es,
problemas sociais e pol=EDticos, e no momento era invi=E1vel para o
Brasil, que
se arriscava a perder sua integridade, esfacelar-se em v=E1rias
rep=FAblicas.
Mas os imperadores sempre tiveram essa meta diante dos olhos.

D. Pedro II premiava os senhores que libertavam seus escravos.
Fala-se muito do caderninho preto e do l=E1pis fat=EDdico de D. Pedro =
II.
=C9 o
caderno onde ele anotava suas observa=E7=F5es de viagem. Se encontrasse
algum
funcion=E1rio, um governador, uma pessoa qualquer indigna, ele anotava,
e essa
pessoa estava com a carreira cortada. O caderninho dele era muito
temido, e
o l=E1pis dele era chamado l=E1pis fat=EDdico. Mas, =E9 preciso dizer, =
esse
l=E1pis
n=E3o era s=F3 fat=EDdico, era tamb=E9m premiante. O senhor que =
libertava seus
escravos recebia uma comenda ou alguma honraria.

Joaquim Nabuco, que era um dos pr=F3ceres da aboli=E7=E3o, narra sua
estadia em Roma, pouco depois de passar por Londres, para tratar da
aboli=E7=E3o. Com Le=E3o XIII ele se empenhou para que o Papa escrevesse =
uma
enc=EDclica contra a escravid=E3o. No relato de viagem, que consta no
livro
"Minha Forma=E7=E3o", no cap=EDtulo "O Papa e a Escravid=E3o", ele
diz: "Descrevi ao
Papa o movimento abolicionista como tendo-se tornado,
proeminentemente, um
movimento da pr=F3pria classe dos propriet=E1rios. E dei, como devia e =
=E9
justo,
aos oper=E1rios desinteressados de =FAltima hora a maior parte, a =
solu=E7=E3o
do
problema, que sem a sua generosidade seria insol=FAvel. Expus que n=E3o
havia na
hist=F3ria do mundo exemplo de humanidade de uma grande classe, igual =
=E0
desist=EAncia feita pelos senhores brasileiros de seus t=EDtulos de
propriedade
escrava. Quanto =E0 Fam=EDlia Imperial, repetia ao Sumo Pont=EDfice que =
o
que h=E1
de feito em nossas leis, em favor dos escravos, =E9 devido =E0 =
iniciativa
e
imposi=E7=E3o do Imperador, ainda que seja pouco".

Quer dizer, o Imperador estava limitado pela Constitui=E7=E3o.
Mas o que
ele podia, ele fazia.

O Conde d'Eu, logo que terminou a Guerra do Paraguai - sendo o
comandante-em-chefe das for=E7as aliadas -, e tratando de reorganizar e
levantar o Paraguai de suas ru=EDnas, como primeira medida aboliu a
escravid=E3o. Isso em 1870, 18 anos antes da Lei =C1urea. =C9 evidente =
que
ele fez
isso de acordo com o Imperador.

Agora, vamos =E0 Princesa Isabel. D. Pedro II era casado com
Da.
Teresa Cristina Maria de Bourbon, das Duas Sic=EDlias. Teve quatro
filhos,
dois var=F5es e duas mulheres. Os filhos homens morreram cedo, e
portanto =E0s
filhas transmitiu-se o direito de suced=EA-lo no trono diretamente.
Primeiro
D. Isabel, que nasceu em 20 de julho de 1848, batizada a 15 de
novembro do
mesmo ano com o nome de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela
Rafaela
Gonzaga, na capela imperial, pelo Bispo Conde de Iraj=E1. Padrinhos por
procura=E7=E3o: D. Fernando, rei de Portugal, e a rainha Maria Isabela,
vi=FAva do
rei Francisco I da =C1ustria, sogra de D. Pedro II. Conta o livro de
Hermes
Vieira: "Antes do batismo, na escadaria da capela imperial, o
Imperador,
aproximando-se da filha e tomando-a nos bra=E7os, avan=E7ou um passo e a
apresentou ao povo, que l=E1 fora, curioso, comprimido, correspondeu ao
gesto
do monarca ovacionando Sua Alteza e aos soberanos do Brasil. Ouviram-
se
ent=E3o os sons her=F3icos do Hino Nacional, confundidos com o vozerio
consagrat=EDcio da multid=E3o, entoadas pelas bandas de m=FAsica =
postadas no
passadi=E7o e no coreto armado junto ao alpendre da torre da capela
imperial".

Da. Teresa Cristina, nossa 3a imperatriz, =E9 da Casa de
N=E1poles, que
=E9 sumamente cat=F3lica. =C9 uma Casa que se esmerou sempre na =
alian=E7a com
o
Papado, na defesa da Igreja. Por ocasi=E3o do chamado Risorgimento
Italiano,
perdeu seu trono porque n=E3o quis usurpar os Estados de outros
soberanos,
principalmente os Estados Pontif=EDcios. Perdeu seu trono em 1860, dez
anos
antes da queda de Roma frente =E0s tropas garibaldinas. Garibaldi e os
Sav=F3ia
concentraram todas as suas for=E7as contra N=E1poles, e s=F3 depois =
foram
atacar
os Estados Pontif=EDcios.Da. Teresa Cristina recebeu, e transmitiu, essa
profunda forma=E7=E3o cat=F3lica =E0 sua filha.

A Princesa Isabel realmente foi cat=F3lica no fundo da alma, at=E9 o fim
da
vida. Com 14 anos ela prestou o juramento de estilo perante as Duas
C=E2maras.
Aos 48 anos, foi reconhecida solenemente como herdeira presuntiva do
trono.
Em 1864 se casou com o conde d'Eu, como resultado de um fato
pitoresco e at=E9
comovedor. D. Pedro II procurava noivos para suas duas filhas, a
Princesa
Isabel e Da. Leopoldina. E pediu =E0 sua irm=E3, que era casada com o
pr=EDncipe
franc=EAs de Joinville - da=ED o nome de nossa cidade em Santa Catarina =
-
que
procurasse para suas sobrinhas dois noivos apropriados, entre as Casas
Europ=E9ias. E a Princesa de Joinville encontrou dois primos irm=E3os: o
Duque
de Saxe e o Conde d'Eu, que era um pr=EDncipe da Casa de Orleans.
Portanto,
muito proximamente aparentado com o marido dela. O Duque de Saxe
estava
destinado =E0 Princesa Isabel e o Conde d'Eu a Da. Leopoldina. Mas,
chegando
aqui, os noivos viram que n=E3o combinavam, e resolveram trocar. A
Princesa
Isabel escreve, com muito charme: Deus e nossos cora=E7=F5es decidiram =
de
outra
maneira. O Conde d'Eu se casou ent=E3o com a Princesa Isabel, e Da.
Leopoldina
com o Duque de Saxe. O Conde d'Eu, segundo Hermes Vieira, se sentia
bem ao
lado dela. Era simples, boa, afetuosa e pura. Possu=EDa uma voz bem
educada e
tocava piano com sentimento e gra=E7a. Tinha uma sadia ingenuidade, uma
singeleza de id=E9ias, quer dizer, uma clareza de id=E9ias admir=E1vel,
al=E9m de
muita sensibilidade. Isso, sem falar dos seus talentos, da sua
instru=E7=E3o
pouco comum para a =E9poca. Dominava corretamente o franc=EAs, o =
alem=E3o e
o
ingl=EAs.

Logo que a Princesa Isabel se estabeleceu com casa pr=F3pria -
no hoje
pal=E1cio Guanabara, que era o pal=E1cio Isabel da =E9poca - ela =
procurou,
no seu
papel de princesa herdeira mas n=E3o regente, fomentar uma vida
cultural e
social no Rio de Janeiro. Ent=E3o havia toda semana um ser=E3o e um
jantar, mais
ou menos elegante, mais ou menos cultural etc. Isso para fomentar a
cultura
geral na Corte. E eram bastante concorridos esses ser=F5es. O pr=F3prio
Imperador ia uma vez por semana na casa da filha para jantar com ela.
Em
1871, por motivo da viagem do casal imperial, Isabel prestou
juramento como
Regente do Imp=E9rio perante as Duas C=E2maras. "Juro manter a =
Religi=E3o
Cat=F3lica
Apost=F3lica Romana, a integridade e indivisibilidade do Imp=E9rio,
observar e
fazer observar a Constitui=E7=E3o pol=EDtica da Na=E7=E3o Brasileira e =
mais
leis do
Imp=E9rio, e prover o bem do Brasil quanto a mim couber. Juro
fidelidade ao
Imperador e entregar-lhe o governo logo que cessar o seu
impedimento".

Nesse mesmo ano, a 27 de setembro, sendo presidente do
Conselho o
visconde do Rio Branco, pai do bar=E3o do Rio Branco, foi votada a Lei
do
Ventre Livre, na sess=E3o que ficou chamada Sess=E3o das Flores. Quando
aprovada
a Lei do Ventre Livre, uma chuva de rosas desatou-se no plen=E1rio da
Assembl=E9ia. O ministro dos Estados Unidos no Rio de Janeiro colheu
algumas
dessas flores, e disse: "Vou mandar estas flores para meu pa=EDs, para
mostrar
como aqui se fez uma lei que l=E1 custou tanto sangue". A Guerra de
Secess=E3o
nos Estados Unidos custara seiscentos mil mortos. N=E3o =E9 preciso =
dizer
mais
nada.

Em 1876, na segunda reg=EAncia, come=E7ou uma campanha de detra=E7=E3o =
pelos
c=EDrculos republicanos positivistas, ma=E7=F4nicos tamb=E9m, contra a
Princesa
Isabel, por causa de seu catolicismo. Eles viam que ela - por sua
firmeza de
princ=EDpios, por sua forma=E7=E3o profundamente cat=F3lica, mas =
tamb=E9m pelo
pulso
que demonstrou nas reg=EAncias - seria uma imperatriz que faria da
Terra de
Santa Cruz realmente uma exce=E7=E3o no mundo. Ela exerceria uma =
profunda
influ=EAncia por sua autenticidade, sua cultura, sua religiosidade, e
por tudo
aquilo que pode elevar o esp=EDrito de um povo. Isso eles n=E3o queriam,
ent=E3o
come=E7aram a campanha de detra=E7=E3o: era feia; n=E3o era patriota; =
n=E3o
gostava do
Brasil; preferia ter m=E9dicos franceses a brasileiros. E quantas outras
cal=FAnias. O Conde d'Eu era um surd=E3o, arrogante, mantinha corti=E7o.
At=E9 a
surdez - da qual ele, coitado, n=E3o tinha culpa - era assacada em
meio =E0s
cal=FAnias. De tal maneira que, pouco a pouco, foram demonizando esse
casal,
para evitar que mais tarde subissem ao trono. Dizia-se, em certos
c=EDrculos,
que era preciso fazer a rep=FAblica logo, porque se a Princesa Isabel
subisse,
acabaria com todo esse movimento ateu, positivista e republicano. Ela
teria
pulso, teria prest=EDgio para fazer isso. Tornou-se corrente a frase:
"Precisamos fazer a rep=FAblica enquanto o velho est=E1 vivo, sen=E3o a
filha dar=E1
cabo de n=F3s".

Em 1888 foi a Lei =C1urea. Caindo o gabinete Cotegipe, a Princesa
Isabel
chamou o Conselheiro Jo=E3o Alfredo Corr=EAa de Oliveira, abolicionista, =
=E0
presid=EAncia do Conselho. Ele fez votar a Lei =C1urea e a apresentou
para a
assinatura da Princesa Isabel. O Conde d'Eu, nessa ocasi=E3o, teve um
momento
de hesita=E7=E3o : "N=E3o o assine, Isabel. =C9 o fim da Monarquia". Ao =
que
ela
respondeu: "Assin=E1-lo-ei, Gaston. Se agora n=E3o o fizer, talvez nunca
mais
tenhamos uma oportunidade t=E3o prop=EDcia. O negro precisa de =
liberdade,
assim
como eu necessito satisfazer ao nosso Papa e nivelar o Brasil, moral e
socialmente, aos demais pa=EDses civilizados".

Depois da assinatura, grande festa no Rio de Janeiro, o povo
aclamando etc. Estando a Princesa Isabel junto ao bar=E3o de Cotegipe na
janela do pal=E1cio - o bar=E3o a estimava, s=F3 estavam em desacordo na
quest=E3o
da escravid=E3o - ela lhe indagou: "Ent=E3o, senhor Bar=E3o, V. Excia. =
acha
que
foi acertada a ado=E7=E3o da lei que acabo de assinar?". Ao que o =
Bar=E3o,
com
muito carinho, respondeu: "Redimistes, sim, Alteza, uma ra=E7a, mas
perdestes
vosso trono..."

D. Pedro II nesse momento estava em Mil=E3o, muito doente e com
a
perspectiva de morte. Mas a 22 de maio ele sentiu uma certa melhora e
a
Imperatriz teve a coragem de lhe dar a not=EDcia da Aboli=E7=E3o. Diz
Heitor Lira:
"Enchendo-se de coragem, debru=E7ada sobre a cabeceira do marido, deu-
lhe com
brandura a grande nova. O Imperador abriu lentamente os olhos
amaciados e
depois perguntou como quem ressuscitava: `N=E3o h=E1 mais escravos no
Brasil?'.
`N=E3o - respondeu a Imperatriz - a lei foi votada no dia 13. A
escravid=E3o
est=E1 abolida'. `Demos gra=E7as a Deus. Telegrafe imediatamente a =
Isabel
enviando-lhe minha b=EAn=E7=E3o e todos os agradecimentos para o =
Pa=EDs'.
Houve um
momento de sil=EAncio. A emo=E7=E3o dos presentes era grande. Virando-se
depois,
lentamente, o Imperador acrescentou com voz quase sumida - `Grande
povo,
grande povo' - e desatou a chorar de emo=E7=E3o. O telegrama que foi
mandado =E0
Princesa Isabel tinha o seguinte teor: `Princesa Imperial. Grande
satisfa=E7=E3o
para meu cora=E7=E3o e gra=E7as a Deus pela aboli=E7=E3o da =
escravid=E3o.
Felicita=E7=E3o
para v=F3s e todos os brasileiros. Pedro e Tereza'".

O Papa Le=E3o XIII resolveu premiar a Princesa Isabel com a
maior
distin=E7=E3o que os Soberanos Pont=EDfices davam a chefes de Estado e a
pessoas
de grande relevo, nas ocasi=F5es em que eles adquiriam m=E9ritos
especiais.
Enviando-lhe a Rosa de Ouro, que foi entregue a 28 de setembro de
1888, no
17o anivers=E1rio da promulga=E7=E3o da Lei do Ventre Livre. A data foi
escolhida
pelo pr=F3prio N=FAncio Apost=F3lico, para a cerim=F4nia que se realizou =
com
toda
magnific=EAncia na capela imperial. Entretanto, apesar de tudo,
continuou a
campanha de detra=E7=E3o contra a monarquia, agora contra o Imperador: o
velho
est=E1 gag=E1; ele dorme o tempo todo; o Conde d'Eu e a Princesa Isabel
v=E3o se
tornar tiranos aqui; e toda uma leva de cal=FAnias, espalhadas por todo
o
Pa=EDs.

A 15 de novembro, os militares que estavam no Rio de Janeiro -
eram
uma minoria, representavam um ter=E7o do Ex=E9rcito Brasileiro -
proclamaram a
Rep=FAblica. O golpe foi totalmente alheio =E0 vontade do povo, tanto =
=E9
que eles
embarcaram a Fam=EDlia Imperial =E0 noite, rumo ao ex=EDlio, para que =
n=E3o
houvesse
rea=E7=E3o popular. Na partida, a Princesa Isabel passando junto =E0 =
mesa
onde
havia assinado a Lei =C1urea, bateu em cima e disse: "Mil tronos
houvera, mil
tronos eu sacrificaria para libertar a ra=E7a negra".

D. Pedro II recusou 5 mil contos de r=E9is - cerca de 4
toneladas e
meia de ouro, uma fortuna - que lhe ofereceram os revoltosos, porque,
dizia, o governo n=E3o tinha direito de dispor assim dos bens
nacionais. Da.
Tereza Cristina, mal chegando a Portugal, morreu de desgosto no
Grande Hotel
do Porto. Eu estive l=E1 alguns anos atr=E1s, quando o hotel inaugurou =
uma
placa. E D. Pedro II faleceu a 4 de dezembro de 1891, no Hotel
Bedfor, em
Paris, onde uma placa recorda o passamento do ilustre h=F3spede. Tal
era o
prest=EDgio que cercava sua pessoa, que a Rep=FAblica francesa lhe
concedeu
funerais completos de Chefe de Estado.

Conde d'Eu e a Princesa Isabel compraram um palacete em Boulogne-sur-
Seine,
que =E9 um bairro de Paris perif=E9rico mas nobre. L=E1 ela abria seus
sal=F5es para
os brasileiros que iam visit=E1-los. E n=E3o s=F3 isso. Conseguiu se =
impor
na
sociedade parisiense a tal ponto que nas mem=F3rias de v=E1rias pessoas,
era
quase uma rainha daquela sociedade. Era tida como a principal
personalidade
l=E1. Somente ela e o presidente da Rep=FAblica podiam entrar de
carruagem no
p=E1tio interno da =D3pera de Paris.

Uma indu, que se tornaria mais tarde Maarani Karkutula,
escreve em
suas mem=F3rias, que ela via a Princesa Isabel como uma verdadeira
rainha, uma
fada. N=E3o s=F3 isso - uma rainha, uma fada - mas, mais uma vez, com
toda a
bondade brasileira e cat=F3lica, que era pr=F3pria da Princesa Isabel. A
Maarani
conta que, quando menina, teve uma crise aguda de apendicite. Operada
com os
recursos incipientes da =E9poca, passou uma longa convalescen=E7a no
hospital. A
sociedade parisiense toda, curiosa, ia visit=E1-la. Ela dizia que se
sentia um
bichinho ex=F3tico, que as pessoas iam ver como num zool=F3gico, e a
=FAnica que
foi visit=E1-la com bondade e para lhe fazer bem, foi a Princesa
Isabel. Ela
conta que a Princesa Isabel se aproximou do seu leito, agradou-a
muito,
acariciou, consolou etc. E no fim, disse: "Minha filha, eu n=E3o sei que
religi=E3o voc=EA tem. Mas sei que h=E1 um Deus que ama todas as =
crian=E7as do
mundo. Aqui est=E1 uma imagem da m=E3e dele. Guarde-a consigo, e quando
voc=EA
estiver numa grande afli=E7=E3o, pe=E7a a ela para interceder junto ao =
Deus
verdadeiro". A Maarani n=E3o se converteu =E0 Igreja Cat=F3lica, =
permaneceu
pag=E3
at=E9 o fim da vida, mas nos momentos de apuro se ajoelhava diante da
imagem
de Nossa Senhora, que a Princesa Isabel tinha lhe dado. Porque ela
sabia que
seria ouvida.

Santos Dumont, nessa =E9poca, fazia suas experi=EAncias em Paris.
Sabendo que ele passava muito tempo no campo onde fazia seus
experimentos,
mandava-lhe farn=E9is para que ele n=E3o precisasse voltar =E0 cidade =
para
almo=E7ar. Certa vez, escreveu-lhe: "Sr. Santos Dumond, envio-lhe uma
medalha
de S. Benedito, que protege contra acidentes. Aceite-a e use-a na
corrente
de seu rel=F3gio, na sua carteira ou no seu pesco=E7o. Ofere=E7o-a =
pensando
em sua
boa m=E3e, e pedindo a Deus que o socorra sempre e ajude a trabalhar
para a
gl=F3ria de nossa P=E1tria". E noutra ocasi=E3o: "Suas evolu=E7=F5es =
a=E9reas
fazem-me
recordar nossos grandes p=E1ssaros do Brasil. Oxal=E1 possa, o Sr., =
tirar
de seu
propulsor o partido que aqueles tiram de suas pr=F3prias asas, e
triunfar para
a gl=F3ria de nossa querida P=E1tria".

Muito tocante tamb=E9m =E9 o fim da carta que ela escreveu para o
Diret=F3rio
Mon=E1rquico, para anunciar os casamentos de seus filhos mais velhos. O
Diret=F3rio era composto pelo Conselheiro Jo=E3o Alfredo Corr=EAa de
Oliveira,
pelo Visconde de Ouro Preto e pelo Conselheiro Lafaiete. A carta =E9
datada
de 9 de setembro de 1908: "Minhas for=E7as n=E3o s=E3o o que eram, mas o
meu
cora=E7=E3o =E9 o mesmo para amar a minha P=E1tria e todos aqueles que =
lhe s=E3o
dedicados. Toda a minha amizade e confian=E7a". Quer dizer, era o jeito
brasileiro, a bondade brasileira perfeitamente encarnada naquela
senhora.

Uma outra amostra de seu profundo interesse pelo Brasil est=E1
numa
carta ao Cons. Jo=E3o Alfredo. O Banco do Brasil, n=E3o me recordo agora
no
per=EDodo de qual presidente, estava num descalabro propriamente
republicano:
desordem completa; contas n=E3o estavam acertadas; funcionalismo
completamente
rebelde. E o presidente da Rep=FAblica concluiu ent=E3o que o =FAnico =
que
teria
intelig=EAncia, for=E7a, garra e pulso para p=F4r ordem ali seria o =
Cons.
Jo=E3o
Alfredo, e o convidou a assumir a presid=EAncia do Banco do Brasil. =
Jo=E3o
Alfredo respondeu: "Eu sou monarquista, e portanto s=F3 posso aceitar
esse
cargo se a minha Imperatriz autorizar". Escreveu =E0 Princesa Isabel,
explicando o caso, e ela respondeu: "Para o bem de nossa P=E1tria, o
Sr. deve
aceitar". Jo=E3o Alfredo assumiu a presid=EAncia do Banco do Brasil, =
p=F4s
em
ordem o funcionalismo, p=F4s em ordem a contabilidade. Pagou todos os
atrasados, todas as d=EDvidas, deixou tudo em perfeito estado. Depois
pediu
demiss=E3o e morreu pobre, porque n=E3o levou um tost=E3o daquela =
gest=E3o.
Outros
tempos! Hoje em dia... (risos...)

Agora uma carta da Princesa Isabel =E0 irm=E3 de um monarquista
eleito
deputado, Ricardo Gumbelton, de uma boa fam=EDlia, muito conhecida.
Ele n=E3o
queria aceitar o cargo de deputado, e a princesa Isabel diz: "N=E3o
concordo,
absolutamente! Diga ao seu irm=E3o que ele deve aceitar a cadeira de
deputado
e propugnar pela grandeza moral, econ=F4mica e social de nossa P=E1tria.
N=E3o
aceitando =E9 que ele estar=E1 procedendo de maneira contr=E1ria aos
interesses da
coletividade. N=E3o nos deve importar o regime pol=EDtico sob que esteja =
o
Brasil, mas sim conseguir-se colaboradores de boa vontade capazes de
elevar
o nosso Pa=EDs. De homens como ele =E9 que o Brasil precisa para =
ascender
mais,
para fortalecer-se mais. Fa=E7a-lhe sentir que reprovo sua recusa". Quer
dizer, o bem do Brasil estava acima dos interesses pr=F3prios.

Ela ainda viveu at=E9 1921. Cada vez mais fraca, mas sempre com
aquela
grande classe, com aquele grande porte. Nas fotografias dela no
ex=EDlio, ela
tem um porte imperial que n=E3o tinha aqui no Brasil. No infort=FAnio, a
no=E7=E3o
da miss=E3o dela foi se cristalizando cada vez mais, e ela era
realmente,
nessas fotografias, uma imperatriz. No batizado de meu pai - pena que
eu n=E3o
tenha aqui a fotografia, que gostaria de apresentar para as senhoras
e os
senhores - ela =E9 uma senhora de uma nobreza e de uma categoria
impressionantes. E foi assim at=E9 o fim da vida.

Morreu sem poder voltar ao Brasil. Ela representou na Fran=E7a
o que
havia de melhor no Brasil. Muito mais do que nosso corpo diplom=E1tico,
muito
mais do que nossos homens de neg=F3cio, ela foi um exemplo do que o
Brasil era
ou deveria ser. E a Fran=E7a entendeu isso. Assis Chateaubriand, em
Juiz de
Fora, a 28 de julho de 1934, escreveu: "Apagada a sua estrela
pol=EDtica,
depois de vencida a tormenta da aboli=E7=E3o, ela n=E3o tinha =
express=E3o
dura, uma
palavra amarga para julgar um fato ou um homem do Brasil. No mais
secreto
de seu cora=E7=E3o, s=F3 lhe encontr=E1vamos a indulg=EAncia e a =
bondade. Este
esp=EDrito de conduta, esse desprendimento das paix=F5es em que se viu
envolvida, era a maior prova de fidelidade, no ex=EDlio, =E0 p=E1tria
distante.
Mais de 30 anos de separa=E7=E3o for=E7ada n=E3o macularam a alvura =
dessa
tradi=E7=E3o
de toler=E2ncia, de anistia aos agravos do passado, que ela herdara do
trono
paterno".

Faleceu no castelo d'Eu. Apagou-se suavemente, docemente. A=ED
sim, a
Rep=FAblica reconheceu o que o Brasil tinha perdido. Epit=E1cio Pessoa
determinou tr=EAs dias de luto nacional, e que fossem celebradas
ex=E9quias de
Chefe de Estado. Tamb=E9m a C=E2mara Federal votou que seu corpo fosse
trazido
para o Brasil num vaso de guerra, o que s=F3 se realizou em 1953. Em 13
de
maio de 1971, seu corpo e o do Conde d'Eu foram levados solenemente =E0
catedral de Petr=F3polis, e l=E1 repousam =E0 espera da ressurrei=E7=E3o =
dos
mortos e
do ju=EDzo de Deus.

Essa era a grande mulher que nosso Brasil tinha. Ela n=E3o foi uma
grande
intelectual. Foi uma princesa at=E9 o fundo da alma. Foi uma patriota
at=E9 o
fundo da alma. Uma senhora que sabia que tinha nascido para o bem de
um
pa=EDs, e encarnou essa miss=E3o na P=E1tria e no ex=EDlio at=E9 o fim =
da vida.
Foi um
exemplo de princesa, um exemplo de imperatriz, um exemplo de
cat=F3lica. Ela
foi o tipo perfeito do que deveria ser a mulher brasileira. (aplausos)

Se houver alguma pergunta, estou =E0 disposi=E7=E3o.

Aparte: V. Alteza antecipou alguma coisa na palestra, mas fa=E7o apenas
um
coment=E1rio, por curiosidade. =C9 a respeito dessa medalha que foi
encaminhada
ao Santos Dumont, porque se propagava que Santos Dumont era um homem
ateu.
Mas, na verdade, essa medalha - na tradu=E7=E3o constou como medalha de
S.
Benedito, mas =E9 uma medalha de S. Bento - ele a usou no pulso direito
at=E9 o
fim da vida, e ele mostrava essa medalha. Talvez, quem sabe, Deus
tenha
tocado a alma dele, de algum modo.

D. Luiz: Quem sabe. Deus queira! Isso mostra quanto a Princesa Isabel
representava para os brasileiros, e neste caso um brasileiro de
escol!

Aparte: Ele mandou fazer uma c=F3pia em ouro dessa medalha, e a deu de
presente =E0 primeira aviadora brasileira, An=E9sia Pinheiro Machado, =
que
tinha
sido brevetada com apenas 18 anos de idade. Ela usou tamb=E9m a medalha
at=E9 o
fim da vida.

Aparte: N=E3o foi apenas coincid=EAncia a lei do banimento ser extinta
somente
ap=F3s a morte dela. Porque, se a Princesa voltasse para o Brasil em
vida,
certamente a Rep=FAblica balan=E7aria.

D. Luiz: =C9 preciso dizer o seguinte. Em 1920 houve umas =
comemora=E7=F5es
no
Brasil em que foram convidados os membros da Fam=EDlia Imperial, e ela
poderia
ter vindo, mas a sa=FAde dela estava t=E3o alquebrada que ela n=E3o =
p=F4de
empreender a viagem. Vieram o Conde d'Eu e alguns membros da Fam=EDlia
Imperial.Ela praticamente j=E1 n=E3o teria mais atua=E7=E3o aqui no =
Brasil.
Mas o
problema para a Rep=FAblica era meu av=F4, D. Luiz de Orleans e =
Bragan=E7a,
o
chamado Pr=EDncipe Perfeito. Ele era muito empreendedor, com muita
garra,
muito pulso, muito inteligente, muito culto, muito viajado, e a
Rep=FAblica o
temia. Foi s=F3 depois da morte dele, em 1921 tamb=E9m - antes do
falecimento da
Princesa Isabel, em conseq=FC=EAncia de uma doen=E7a adquirida no fronte =
da
I
Guerra Mundial - que a Rep=FAblica se sentiu segura para abolir a lei
do
banimento.

Por ocasi=E3o das comemora=E7=F5es da Independ=EAncia, em 1922, o Conde =
d'Eu
veio
com minha av=F3 paterna, meu pai e seus irm=E3os, e tamb=E9m com o filho =
D.
Pedro
de Alc=E2ntara, que tinha renunciado ao trono. Ele veio aqui por um
sentimento
de dever para com o Brasil tamb=E9m, porque com a ren=FAncia de D. Pedro
de
Alc=E2ntara era perigoso que, apesar disso, se formassem partidos,
principalmente tendo meu av=F4 morrido. Ent=E3o o Conde d'Eu fez =
quest=E3o
de vir
aqui para apresentar meu pai como herdeiro leg=EDtimo da Princesa
Isabel. Ele
veio apesar de seus m=E9dicos desaconselharem formalmente a viagem. De
fato,
ele morreu a bordo do navio, antes de chegar ao Rio de Janeiro. Sua
atitude
foi de um soldado indo ao campo de batalha, sabendo que poderia
sacrificar
sua vida para o bem da P=E1tria.

Fim da mensagem encaminhada ---



__._,_.___=20
Mensagens neste t=F3pico (1) Responder (atrav=E9s da web) | Adicionar um =
novo t=F3pico=20
Mensagens | Links | Banco de dados | Associados=20
Pro Monarquia
http://www.monarquia.org.br

=20
Alterar configura=E7=F5es via web (Requer Yahoo! ID)=20
Alterar configura=E7=F5es via e-mail: Alterar recebimento para lista =
di=E1ria de mensagens | Alterar formato para o tradicional=20
Visite seu Grupo | Termos de uso do Yahoo! Grupos | Sair do grupo =
Atividade nos =FAltimos dias
  a..  2Novos usu=E1rios
  b..  1Novos links
Visite seu Grupo=20
Yahoo! Mail
Conecte-se ao mundo

Prote=E7=E3o anti-spam

Muito mais espa=E7o

Yahoo! Barra
Instale gr=E1tis

Buscar sites na web

Checar seus e-mails .

Yahoo! Grupos
Crie seu pr=F3prio grupo

A melhor forma de comunica=E7=E3o

.=20
__,_._,___ 
------=_NextPart_000_000E_01C88C66.63A88340
Content-Type: text/html;
	charset="iso-8859-1"
Content-Transfer-Encoding: quoted-printable

<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN" =
"http://www.w3c.org/TR/1999/REC-html401-19991224/loose.dtd">
<HTML><HEAD>
<META http-equiv=3DContent-Type content=3D"text/html; =
charset=3Diso-8859-1">
<META content=3D"MSHTML 6.00.2800.1555" name=3DGENERATOR></HEAD>
<BODY style=3D"BACKGROUND-COLOR: #ffffff" bgColor=3D#ffffff>
<DIV>&nbsp;</DIV>
<DIV style=3D"FONT: 10pt arial">----- Original Message -----=20
<DIV style=3D"BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A=20
title=3Dmonarqui...@yahoo.com.br =
href=3D"mailto:monarqui...@yahoo.com.br">Jean=20
Tamazato</A> </DIV>
<DIV><B>To:</B> <A title=3Dmonarquiadobra...@yahoogrupos.com.br=20
href=3D"mailto:monarquiadobra...@yahoogrupos.com.br">monarquiadobrasil@ya=
hoogrupos.com.br</A>=20
</DIV>
<DIV><B>Sent:</B> Saturday, March 22, 2008 9:55 AM</DIV>
<DIV><B>Subject:</B> [monarquiadobrasil] Texto da Palestra de D. Luiz =
sobre a=20
Princesa isabel.</DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV><!--~-|**|PrettyHtmlStartT|**|-~-->
<DIV id=3Dygrp-mlmsg style=3D"WIDTH: 655px; POSITION: relative">
<DIV id=3Dygrp-msg=20
style=3D"PADDING-RIGHT: 25px; PADDING-LEFT: 0px; Z-INDEX: 1; FLOAT: =
left; PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px; WIDTH: 470px; PADDING-TOP: =
0px"><!--~-|**|PrettyHtmlEndT|**|-~-->
<DIV id=3Dygrp-text>
<P>Prezados amigos,<BR><BR>Segue a transcricao da palestra de D. Luiz. =
Desculpe=20
o problema de <BR>tabulacao, pois retirei isso de um forum da Lepanto e =
ja=20
estava com o <BR>problema.<BR><BR>Cordialmente,<BR><BR>Jean=20
Tamazato<BR><BR>------------<WBR>---<BR><BR>Palestra de S.A.I.R o =
Pr=EDncipe Dom=20
Luiz de Orleans e Bragan=E7a<BR>16 de agosto de 2006 - sede da Pr=F3=20
Monarquia<BR><BR>A Princesa Isabel =96 160 anos<BR><BR>Atendi com muito =
prazer ao=20
am=E1vel convite para falar =E0s<BR>senhoras e<BR>aos senhores sobre =
minha bisav=F3, a=20
princesa Isabel, de mem=F3ria t=E3o<BR>marcante,<BR>que at=E9 o fim da =
vida soube=20
representar aquilo que ela era, uma<BR>princesa<BR>brasileira, =
carinhosamente=20
lembrada como a "Redentora" dos escravos.<BR><BR>Direi inicialmente algo =
sobre o=20
contexto hist=F3rico, abordando<BR>a<BR>quest=E3o da escravid=E3o, e =
pouco a pouco=20
irei introduzindo a Princesa<BR>Isabel,<BR>para apresentar a =
personalidade dela,=20
sua atua=E7=E3o, comentando o que<BR>ela<BR>poderia ter sido para o =
Brasil, se=20
houvesse reinado como Imperatriz -<BR>o<BR>modelo de grande dama=20
brasileira.<BR><BR>O problema da escravid=E3o existiu desde quase o =
come=E7o=20
da<BR>Humanidade.<BR>Na Antiguidade, estima-se que s=F3 10 por cento dos =
homens=20
eram livres.<BR>90 por<BR>cento constitu=EDa a enorme massa de escravos =
que n=E3o=20
tinham direito<BR>algum. Os<BR>senhores podiam fazer deles o que =
quisessem:=20
vender, matar, mutilar;<BR>usar<BR>como cobaia; fazer os piores horrores =
que se=20
possam imaginar. As<BR>uni=F5es, os<BR>casamentos dos escravos podiam =
ser=20
desfeitos ao bel prazer do senhor.<BR>Eram<BR>tratados como =
animais.<BR><BR>A=20
Igreja Cat=F3lica, com a convers=E3o do Imp=E9rio Romano do Ocidente, =
se<BR>empenhou=20
em eliminar pouco a pouco a escravid=E3o. Ela n=E3o o fez de =
uma<BR>s=F3<BR>vez, pois=20
causaria tais sobressaltos, que seria um perigo para a<BR>sociedade =
e<BR>para os=20
Estados. Eu cito aqui um texto de Le=E3o XIII, uma enc=EDclica de<BR>5 =
de<BR>maio de=20
1888: "N=E3o quis a Igreja apressar-se em obter a emancipa=E7=E3o =
e<BR>a<BR>liberta=E7=E3o=20
dos escravos, posto que isso n=E3o podia realizar-se sem<BR>alvoro=E7o =
e<BR>sem=20
preju=EDzo para eles pr=F3prios e para as na=E7=F5es, mas =
preocupou-se<BR>principalmente=20
por que fossem as almas dos servos instru=EDdas,<BR>conforme as<BR>suas=20
capacidades, na religi=E3o crist=E3 e que estes adotassem costumes=20
em<BR>concord=E2ncia com o batismo recebido".<BR><BR>Quer dizer, a =
Igreja primeiro=20
tratou das almas. Primeiro<BR>tratou das<BR>mentalidades. Depois, pouco =
a pouco,=20
foi erodindo a institui=E7=E3o da<BR>escravid=E3o. Le=E3o XIII continua: =
"Pacificadas=20
depois as coisas, e<BR>tranq=FCilos<BR>os tempos para a Igreja, os =
ensinamentos=20
apost=F3licos sobre a uni=E3o<BR>fraternal<BR>dos esp=EDritos entre os =
crist=E3os foram=20
expostos com admir=E1vel<BR>sabedoria pelos<BR>Santos Padres e aplicados =
com igual=20
caridade em defesa dos escravos,<BR>esfor=E7ando-se em refutar que o =
direito dos=20
senhores sobre o trabalho<BR>dos<BR>escravos fosse de absoluta =
honestidade; e=20
que, sobretudo, fosse de<BR>modo<BR>algum l=EDcito ao seu poder =
imperioso e =E0 sua=20
cruel sev=EDcia atentar<BR>contra<BR>suas vidas".<BR><BR>A partir de =
Carlos Magno,=20
que reinou de 760 a 815, no<BR>Ocidente a<BR>escravid=E3o praticamente=20
desapareceu. No s=E9culo 9o, segundo o autor<BR>americano<BR>Rodney =
Stark em seu=20
livro "A Vit=F3ria da Raz=E3o", a escravid=E3o deixou de<BR>existir na =
Europa. Vou=20
cit=E1-lo: "A escravid=E3o acabou na Europa<BR>medieval<BR>somente =
porque a Igreja=20
estendeu seus sacramentos a todos os escravos<BR>e<BR>depois trabalhou =
para=20
impor a proibi=E7=E3o da escravid=E3o de crist=E3os e de<BR>judeus. No =
contexto da=20
Europa medieval, essa proibi=E7=E3o foi de modo<BR>efetivo,<BR>uma lei =
de aboli=E7=E3o=20
universal". Continuou a haver escravid=E3o no mundo<BR>isl=E2mico, onde, =
conforme=20
explica o autor, "h=E1 uma =FAnica e insuper=E1vel<BR>barreira para a =
condena=E7=E3o da=20
escravid=E3o: Maom=E9 comprou, vendeu,<BR>capturou e<BR>possuiu=20
escravos".<BR><BR>Hoje em dia, no Isl=E3, ainda h=E1 escravos. Isso =
n=E3o =E9=20
contado<BR>na<BR>m=EDdia em geral, mas h=E1 escravid=E3o, e uma boa =
parte do problema=20
da<BR>Som=E1lia e<BR>daqueles pa=EDses do leste da =C1frica prov=E9m do =
fato de que os=20
maometanos<BR>procuram escravizar os crist=E3os e torn=E1-los seus =
animais de=20
servi=E7o.<BR><BR>Na Antiguidade, explica esse autor, o conceito de=20
liberdade<BR>n=E3o<BR>existia. S=F3 havia o conceito de sujei=E7=E3o. O =
conceito de=20
liberdade foi<BR>introduzido no Ocidente pela Santa Igreja Cat=F3lica =
Apost=F3lica=20
Romana.<BR><BR>Paulatinamente a escravid=E3o foi sendo substitu=EDda por =

um<BR>regime<BR>muito mais suave, que hoje em dia =E9 demonizado, mas =
que de fato=20
era<BR>completamente diferente da escravid=E3o - a servid=E3o da gleba. =
O=20
servo<BR>da<BR>gleba era algu=E9m que recebia de um senhor um peda=E7o =
de terra e=20
era<BR>obrigado<BR>a cultiv=E1-la. Cultiv=E1-la para seu proveito. Podia =
se casar.=20
Podia<BR>legar essa<BR>gleba. Podia juntar um pec=FAlio. Podia, se =
quisesse,=20
deix=E1-la, embora a<BR>perdesse se a deixasse. Tinha unicamente que dar =
um dia da=20
semana de<BR>trabalho ao senhor. Um dia da semana de trabalho por=20
semana<BR>corresponde a um<BR>sexto do que ele trabalhava.<BR><BR>Eu =
pergunto =E0s=20
senhoras e aos senhores: hoje em dia, com mais<BR>de 38<BR>por cento do =
PIB do=20
Brasil absorvido pelo Estado, quem tem uma sorte<BR>mais<BR>cruel: o =
servo da=20
gleba da Idade M=E9dia, ou n=F3s, pobres cidad=E3os<BR>livres de<BR>uma =
rep=FAblica=20
democr=E1tica? N=E3o h=E1 compara=E7=E3o poss=EDvel!<BR><BR>Os senhores =
tinham obriga=E7=F5es=20
para com seus servos. Tinham que<BR>administrar a justi=E7a e =
ajud=E1-los em casos=20
de pen=FAria ou calamidade. O<BR>castelo era, por assim dizer, o celeiro =
de toda a=20
comunidade, onde se<BR>guardavam os gr=E3os para as =E9pocas de m=E1s=20
colheitas.<BR><BR>O senhor tinha obriga=E7=E3o de proteger seus servos =
em caso=20
de<BR>ataques<BR>de inimigos. E os servos s=F3 podiam ser chamados =E0s =
armas se o=20
seu<BR>torr=E3o<BR>fosse atacado. Eles n=E3o podiam ser recrutados, de=20
maneira<BR>compuls=F3ria, para<BR>acompanhar seu senhor numa guerra =
contra outro=20
senhor ou numa guerra<BR>externa. N=E3o havia o que s=F3 surgiu nos =
s=E9culos 19 e 20=20
- o servi=E7o<BR>militar<BR>obrigat=F3rio. Os servos eram =
livres.<BR><BR>Em Portugal=20
n=E3o houve servid=E3o da gleba. Passou-se =
da<BR>escravid=E3o<BR>diretamente para o=20
regime do senhorio, com camponeses livres. Na<BR>Espanha<BR>tamb=E9m =
n=E3o havia. S=F3=20
na Catalunha houve feudalismo, e portanto servos<BR>da<BR>gleba. No =
resto do=20
pa=EDs, n=E3o os houve. Mesmo a servid=E3o da gleba na<BR>Catalunha foi =
abolida em=20
1486, por Fernando o Cat=F3lico.<BR><BR>No s=E9culo 15, na Fran=E7a, a =
servid=E3o da=20
gleba j=E1 havia<BR>desaparecido<BR>completamente. Na Alemanha, estava =
sendo=20
abolida nas prov=EDncias mais<BR>do sul,<BR>continuando ao leste. No =
leste europeu=20
=96 eu incluo a =C1ustria, a<BR>Hungria, a<BR>Checoslov=E1quia - um =
pouco, mas muito=20
mitigada sempre pelo trabalho da<BR>Igreja. Na Pol=F4nia, e =
principalmente na=20
R=FAssia, a servid=E3o da gleba se<BR>prolongou por mais =
tempo.<BR><BR>Com a=20
Renascen=E7a voltou a escravid=E3o. Por que voltou?<BR><BR>O homem =
medieval era=20
profundamente religioso. Ele tinha a<BR>no=E7=E3o de<BR>que sua =
finalidade principal=20
era servir a Deus, amando-o sobre todas<BR>as<BR>coisas, e ter amor ao =
pr=F3ximo=20
por amor de Deus. Em conseq=FC=EAncia,<BR>ficou muito<BR>facilitado o =
trabalho da=20
Igreja pela aboli=E7=E3o da escravid=E3o e =
da<BR>servid=E3o.<BR>Entretanto, na=20
Renascen=E7a voltou a aparecer o ideal de felicidade<BR>pag=E3 =
do<BR>gozo da=20
vida.<BR><BR>Como diz muito bem o Prof. Plinio Corr=EAa de Oliveira em=20
seu<BR>livro<BR>Revolu=E7=E3o e Contra-Revolu=E7=E3<WBR>o, na =
Renascen=E7a voltou o ideal=20
de vida de<BR>satisfazer o orgulho e a sensualidade, como os antigos =
romanos,=20
os<BR>antigos<BR>gregos, os antigos eg=EDpcios. E com isso o ego=EDsmo, =
o=20
antropocentrismo<BR>substituiu o teocentrismo medieval. E o homem, por =
via=20
de<BR>conseq=FC=EAncia,<BR>voltou a ser o lobo do pr=F3prio homem. O =
gozo da vida era=20
para ser<BR>alcan=E7ado<BR>a qualquer pre=E7o, a qualquer custo, =
passando por cima=20
dos direitos,<BR>das<BR>conveni=EAncias. A Renascen=E7a foi uma volta =
colossal do=20
paganismo<BR>antigo, com<BR>todas as suas abomina=E7=F5es.<BR><BR>=C9 =
verdade que,=20
pela a=E7=E3o da Igreja, o Cristianismo ainda tinha<BR>ra=EDzes muito =
profundas, que=20
continuaram at=E9 nossos dias, embora se<BR>erodindo<BR>pouco a pouco, =
como =E9=20
magistralmente bem descrito no referido livro<BR>do Prof.<BR>Plinio =
Corr=EAa de=20
Oliveira. Mas voltaram v=E1rias aberra=E7=F5es.<BR><BR>A Am=E9rica foi a =
regi=E3o onde=20
espanh=F3is e portugueses<BR>encontraram<BR>pretexto para restaurar a =
escravid=E3o.=20
Muitos afirmavam que os =EDndios<BR>e os<BR>negros n=E3o tinham alma, e =
que portanto=20
eram verdadeiros animais.<BR>Entretanto<BR>a Igreja, desde o come=E7o, =
se levantou=20
contra isso.<BR><BR>Carlos V consultou o Papa Paulo III sobre se era =
l=EDcito=20
escravizar os<BR>=EDndios. E a resposta de Paulo III =E9 lapidar. Na =
bula de 9 de=20
junho de<BR>1537<BR>ele afirma: "A mesma verdade, que nem se pode =
enganar nem=20
ser<BR>enganada,<BR>quando mandava os pregadores de sua F=E9 a exercitar =
esse=20
of=EDcio,<BR>sabemos o<BR>que disse: Ide e ensinai a todas as gentes.A =
todas=20
disse,<BR>indiferentemente,<BR>porque todas s=E3o capazes de receber a =
doutrina de=20
nossa F=E9. (...) Sob<BR>pretexto de que s=E3o incapazes de receb=EA-la, =
os p=F5em em=20
dura servid=E3o,<BR>e os<BR>afligem e oprimem tanto, que ainda a =
servid=E3o em que=20
t=EAm seus animais<BR>apenas<BR>=E9 t=E3o grande com que afligem a esta =
gente. N=F3s=20
outros, pois, que<BR>ainda que<BR>indignos temos as vezes de Deus na =
terra e=20
procuramos com todas as<BR>for=E7as<BR>achar suas ovelhas, que ainda =
est=E3o=20
perdidas fora de seu rebanho, para<BR>lev=E1-las a ele, pois este =E9 =
nosso of=EDcio;=20
conhecendo que aqueles<BR>mesmos<BR>=EDndios, como verdadeiros homens, =
n=E3o somente=20
s=E3o capazes da f=E9 de<BR>Cristo,<BR>sen=E3o que acodem a ela, =
correndo com=20
grand=EDssima prontid=E3o, segundo<BR>nos<BR>consta; e querendo promover =
nestas=20
cousas de rem=E9dio conveniente, com<BR>autoridade Apost=F3lica, pelo =
teor das=20
presentes, determinamos, e<BR>declaramos,<BR>que os ditos =EDndios, e =
todas as=20
mais gentes que daqui em diante<BR>vierem =E0<BR>not=EDcia dos =
crist=E3os, ainda que=20
estejam fora da F=E9 de Cristo, n=E3o<BR>sejam<BR>privados, nem devem =
s=EA-los, de sua=20
liberdade, nem do dom=EDnio de seus<BR>bens, e<BR>que n=E3o devem ser =
reduzidos =E0=20
servid=E3o. Dada em Roma, ano de 1537,<BR>aos 9 de<BR>julho, ano =
terceiro de nosso=20
pontificado"<WBR>.<BR><BR>Fechou a quest=E3o. Roma locuta, causa finita. =

Uma<BR>linguagem<BR>que d=E1 saudades!<BR><BR>A Igreja, apesar de tudo, =
tolerou a=20
escravid=E3o dos negros.<BR>Por sua<BR>doutrina, ela fazia com que eles =
fossem=20
mais bem tratados aqui na<BR>Am=E9rica do<BR>Sul e na Am=E9rica Central. =
Muito mais=20
bem tratados que entre os<BR>pag=E3os. Ela<BR>batizou os negros aqui =
trazidos.=20
Casava-os segundo o rito cat=F3lico.<BR>Empenhava-se para que os casais =
n=E3o fossem=20
separados, e eles<BR>escapavam =96 foi<BR>essa a raz=E3o que levou a =
Igreja a=20
toler=E1-la =96 a uma sorte muito mais<BR>cruel,<BR>se permanecessem =
como escravos=20
na =C1frica.<BR><BR>A partir de fins do s=E9culo 17 e durante o s=E9culo =
18, os=20
territ=F3rios<BR>portugueses da =C1frica foram governados pelos =
vice-reis do=20
Brasil.<BR>Portanto,<BR>tudo que se tratava em =C1frica passava primeiro =
pelo=20
Brasil. D. Jo=E3o VI<BR>mandou o padre Vicente Pereira Pires, um baiano, =
como=20
enviado junto<BR>ao rei<BR>do Daom=E9, para fazer uma alian=E7a, um =
tratado. O que=20
ele relata do que<BR>viu =E9<BR>espantoso. Naturalmente ele conta que os =
escravos=20
que os portugueses<BR>traziam<BR>para c=E1 eram comprados de outros reis =
negros,=20
quando n=E3o de mercadores<BR>=E1rabes. Ele relata o tratamento que os =
escravos=20
tinham na =C1frica. S=E3o<BR>coisas<BR>atrozes!<BR><BR>Quando algum =
escravo=20
desagradava o rei negro, ele era<BR>enterrado at=E9<BR>o pesco=E7o e =
mantido at=E9 a=20
morte sob o sol escaldante, untado com uma<BR>subst=E2ncia que atra=EDa =
os insetos.=20
E se queria construir uma nova<BR>cho=E7a, para<BR>fazer uma certa =
argamassa ele=20
mandava sangrar algumas centenas de<BR>escravos,<BR>como se sangra um =
animal.=20
Recolhia aquele sangue, misturava com barro<BR>e<BR>fazia os tijolos =
para=20
construir a cho=E7a. O fato =E9 que, quando aqueles<BR>escravos =96 que =
eram=20
prisioneiros de guerra =96 sabiam que iam ser<BR>vendidos<BR>para =
mercadores=20
portugueses, davam vivas, pulavam de alegria, porque<BR>sabiam<BR>que =
iam ter=20
uma sorte muito mais humana do outro lado do =
Atl=E2ntico.<BR>Not=EDcias<BR>disso=20
atravessaram o oceano, e os negros da =C1frica sabiam=20
dessa<BR>realidade.<BR><BR>Os negros que vinham para o Brasil =
encontravam=20
senhores<BR>cat=F3licos.<BR>N=E3o s=F3 isso, mas encontravam uma virtude =
tipicamente=20
brasileira, que<BR>=E9 a<BR>grande bondade que impera em nosso Pa=EDs, =
herdada de=20
Portugal, e que<BR>aqui,<BR>por assim dizer, se alargou de uma maneira=20
extraordin=E1ria.<BR><BR>H=E1 mil exemplos de como os escravos eram bem =
tratados por=20
seus<BR>senhores. Fala-se muito mais do tronco, do a=E7oite, mas quase =
n=E3o=20
se<BR>fala da<BR>dedica=E7=E3o que os escravos tinham pelos seus =
senhores. Isso s=F3=20
se d=E1<BR>quando<BR>h=E1 bons tratos. A m=E3e-preta, a ama-de-leite que =
amamentava o=20
filho do<BR>patr=E3o, e que depois se tornava ama-seca e como que uma =
segunda=20
m=E3e<BR>para o<BR>filho do patr=E3o, permanecendo na fam=EDlia at=E9 a =
morte.<BR><BR>O=20
pior escravagista =96 segundo o mito, bar=E3o de Cotegipe,<BR>chefe =
da<BR>bancada=20
escravagista - quando ia ao Parlamento, ia de carruagem =
e<BR>levava<BR>consigo,=20
al=E9m do cocheiro, um menino negro para levar recados, =
levar<BR>uma<BR>coisa=20
aqui, acol=E1 etc. Se come=E7ava a chover, o bar=E3o dizia: =
Zezinho,<BR>Zezinho, vem=20
c=E1, entra aqui na carruagem, para n=E3o pegar um =
resfriado.<BR>Praticamente=20
tratava-o como filho. E esse era o chefe dos<BR>escravagistas=20
no<BR>Parlamento!<BR><BR>O Prof. Plinio Corr=EAa de Oliveira contava que =
sua av=F3,=20
Da.<BR>Gabriela<BR>Ribeiro dos Santos, uma grande senhora que marcou =
muito a=20
sociedade<BR>paulista<BR>no fim do s=E9culo 19 e in=EDcio do s=E9culo =
20, costumava=20
conversar<BR>longamente<BR>com uma velha ex-escrava. =
Entretinham-<WBR>se,=20
recordando os velhos<BR>tempos. Quer<BR>dizer, era tratada como um =
membro da=20
fam=EDlia. E n=E3o eram exce=E7=F5es.<BR>Era a<BR>regra geral em nosso =
grande, querido e=20
bondoso Brasil.<BR><BR>Os escravos =E0s vezes eram castigados. Mas =
conta-se que=20
em<BR>muitos<BR>casos o fazendeiro dizia para a filha: Olha, vou ter que =

chicotear tal<BR>escravo; quando o feitor levantar o chicote, voc=EA vem =
e me=20
pede<BR>miseric=F3rdia. =C9 bem t=EDpico do jeitinho =
brasileiro!<BR><BR>Eles tinham=20
tamb=E9m a possibilidade de comprar a pr=F3pria<BR>liberdade. =
A<BR>alforria era uma=20
institui=E7=E3o. Poucos sabem que a Caixa Econ=F4mica =
foi<BR>fundada<BR>para que os=20
negros pudessem depositar suas economias, fazer um<BR>pec=FAlio, =
e<BR>finalmente=20
comprar a liberdade.<BR><BR>Os escravos que obtinham a liberdade, =
freq=FCentemente=20
ficavam<BR>com<BR>seus senhores. Recebiam um peda=E7o de terra. Alguns =
voltaram=20
para a<BR>=C1frica, e<BR>l=E1 se tornaram elite, pois tinham recebido a =
influ=EAncia=20
da sabedoria<BR>crist=E3.<BR>No meio da barb=E1rie dos seus =
cong=EAneres, faziam=20
fortuna. Tornaram-se<BR>grandes empres=E1rios, pol=EDticos etc. E a =
superioridade=20
dos negros<BR>brasileiros<BR>=E9 reconhecida na =C1frica - em Daom=E9, =
no Benin, na=20
Costa do Marfim. Isso<BR>mostra como foi vantajoso para os negros virem =
para o=20
Brasil, apesar<BR>do<BR>regime de escravid=E3o que, embora reprov=E1vel, =
foi=20
tolerado como um mal<BR>menor.<BR><BR>A Fam=EDlia Imperial se empenhou =
desde o=20
come=E7o pela aboli=E7=E3o.<BR>D.<BR>Pedro I quis incluir uma cl=E1usula =
com a aboli=E7=E3o=20
da escravid=E3o na<BR>primeira =96<BR>e =FAnica! =96 constitui=E7=E3o do =
Imp=E9rio. Foi Jos=E9=20
Bonif=E1cio que o demoveu,<BR>dizendo que uma medida de t=E3o grandes =
conseq=FC=EAncias=20
causaria<BR>convuls=F5es,<BR>problemas sociais e pol=EDticos, e no =
momento era=20
invi=E1vel para o<BR>Brasil, que<BR>se arriscava a perder sua =
integridade,=20
esfacelar-se em v=E1rias<BR>rep=FAblicas.<BR>Mas os imperadores sempre =
tiveram essa=20
meta diante dos olhos.<BR><BR>D. Pedro II premiava os senhores que =
libertavam=20
seus escravos.<BR>Fala-se muito do caderninho preto e do l=E1pis =
fat=EDdico de D.=20
Pedro II.<BR>=C9 o<BR>caderno onde ele anotava suas observa=E7=F5es de =
viagem. Se=20
encontrasse<BR>algum<BR>funcion=E1rio, um governador, uma pessoa =
qualquer indigna,=20
ele anotava,<BR>e essa<BR>pessoa estava com a carreira cortada. O =
caderninho=20
dele era muito<BR>temido, e<BR>o l=E1pis dele era chamado l=E1pis =
fat=EDdico. Mas, =E9=20
preciso dizer, esse<BR>l=E1pis<BR>n=E3o era s=F3 fat=EDdico, era =
tamb=E9m premiante. O=20
senhor que libertava seus<BR>escravos recebia uma comenda ou alguma=20
honraria.<BR><BR>Joaquim Nabuco, que era um dos pr=F3ceres da =
aboli=E7=E3o, narra=20
sua<BR>estadia em Roma, pouco depois de passar por Londres, para tratar=20
da<BR>aboli=E7=E3o. Com Le=E3o XIII ele se empenhou para que o Papa =
escrevesse=20
uma<BR>enc=EDclica contra a escravid=E3o. No relato de viagem, que =
consta=20
no<BR>livro<BR>"Minha Forma=E7=E3o", no cap=EDtulo "O Papa e a =
Escravid=E3o",=20
ele<BR>diz: "Descrevi ao<BR>Papa o movimento abolicionista como tendo-se =

tornado,<BR>proeminentemente, um<BR>movimento da pr=F3pria classe dos=20
propriet=E1rios. E dei, como devia e =E9<BR>justo,<BR>aos oper=E1rios =
desinteressados=20
de =FAltima hora a maior parte, a solu=E7=E3o<BR>do<BR>problema, que sem =
a sua=20
generosidade seria insol=FAvel. Expus que n=E3o<BR>havia =
na<BR>hist=F3ria do mundo=20
exemplo de humanidade de uma grande classe, igual =E0<BR>desist=EAncia =
feita pelos=20
senhores brasileiros de seus t=EDtulos de<BR>propriedade<BR>escrava. =
Quanto =E0=20
Fam=EDlia Imperial, repetia ao Sumo Pont=EDfice que o<BR>que h=E1<BR>de =
feito em=20
nossas leis, em favor dos escravos, =E9 devido =E0 =
iniciativa<BR>e<BR>imposi=E7=E3o do=20
Imperador, ainda que seja pouco".<BR><BR>Quer dizer, o Imperador estava =
limitado=20
pela Constitui=E7=E3o.<BR>Mas o que<BR>ele podia, ele fazia.<BR><BR>O =
Conde d'Eu,=20
logo que terminou a Guerra do Paraguai =96 sendo =
o<BR>comandante-em-<WBR>chefe das=20
for=E7as aliadas -, e tratando de reorganizar e<BR>levantar o Paraguai =
de suas=20
ru=EDnas, como primeira medida aboliu a<BR>escravid=E3o. Isso em 1870, =
18 anos antes=20
da Lei =C1urea. =C9 evidente que<BR>ele fez<BR>isso de acordo com o=20
Imperador.<BR><BR>Agora, vamos =E0 Princesa Isabel. D. Pedro II era =
casado=20
com<BR>Da.<BR>Teresa Cristina Maria de Bourbon, das Duas Sic=EDlias. =
Teve=20
quatro<BR>filhos,<BR>dois var=F5es e duas mulheres. Os filhos homens =
morreram=20
cedo, e<BR>portanto =E0s<BR>filhas transmitiu-se o direito de =
suced=EA-lo no trono=20
diretamente.<BR>Primeiro<BR>D. Isabel, que nasceu em 20 de julho de =
1848,=20
batizada a 15 de<BR>novembro do<BR>mesmo ano com o nome de Isabel =
Cristina=20
Leopoldina Augusta Micaela<BR>Rafaela<BR>Gonzaga, na capela imperial, =
pelo Bispo=20
Conde de Iraj=E1. Padrinhos por<BR>procura=E7=E3o: D. Fernando, rei de =
Portugal, e a=20
rainha Maria Isabela,<BR>vi=FAva do<BR>rei Francisco I da =C1ustria, =
sogra de D.=20
Pedro II. Conta o livro de<BR>Hermes<BR>Vieira: "Antes do batismo, na =
escadaria=20
da capela imperial, o<BR>Imperador,<BR>aproximando-<WBR>se da filha e =
tomando-a=20
nos bra=E7os, avan=E7ou um passo e a<BR>apresentou ao povo, que l=E1 =
fora, curioso,=20
comprimido, correspondeu ao<BR>gesto<BR>do monarca ovacionando Sua =
Alteza e aos=20
soberanos do Brasil. Ouviram-<BR>se<BR>ent=E3o os sons her=F3icos do =
Hino Nacional,=20
confundidos com o vozerio<BR>consagrat=EDcio da multid=E3o, entoadas =
pelas bandas de=20
m=FAsica postadas no<BR>passadi=E7o e no coreto armado junto ao alpendre =
da torre da=20
capela<BR>imperial".<BR><BR>Da. Teresa Cristina, nossa 3a imperatriz, =
=E9 da Casa=20
de<BR>N=E1poles, que<BR>=E9 sumamente cat=F3lica. =C9 uma Casa que se =
esmerou sempre na=20
alian=E7a com<BR>o<BR>Papado, na defesa da Igreja. Por ocasi=E3o do =
chamado=20
Risorgimento<BR>Italiano,<BR>perdeu seu trono porque n=E3o quis usurpar =
os Estados=20
de outros<BR>soberanos,<BR>principalmente os Estados Pontif=EDcios. =
Perdeu seu=20
trono em 1860, dez<BR>anos<BR>antes da queda de Roma frente =E0s tropas=20
garibaldinas. Garibaldi e os<BR>Sav=F3ia<BR>concentraram todas as suas =
for=E7as=20
contra N=E1poles, e s=F3 depois foram<BR>atacar<BR>os Estados =
Pontif=EDcios.Da. Teresa=20
Cristina recebeu, e transmitiu, essa<BR>profunda forma=E7=E3o cat=F3lica =
=E0 sua=20
filha.<BR><BR>A Princesa Isabel realmente foi cat=F3lica no fundo da =
alma, at=E9 o=20
fim<BR>da<BR>vida. Com 14 anos ela prestou o juramento de estilo perante =
as=20
Duas<BR>C=E2maras.<BR>Aos 48 anos, foi reconhecida solenemente como =
herdeira=20
presuntiva do<BR>trono.<BR>Em 1864 se casou com o conde d'Eu, como =
resultado de=20
um fato<BR>pitoresco e at=E9<BR>comovedor. D. Pedro II procurava noivos =
para suas=20
duas filhas, a<BR>Princesa<BR>Isabel e Da. Leopoldina. E pediu =E0 sua =
irm=E3, que=20
era casada com o<BR>pr=EDncipe<BR>franc=EAs de Joinville - da=ED o nome =
de nossa=20
cidade em Santa Catarina =96<BR>que<BR>procurasse para suas sobrinhas =
dois noivos=20
apropriados, entre as Casas<BR>Europ=E9ias. E a Princesa de Joinville =
encontrou=20
dois primos irm=E3os: o<BR>Duque<BR>de Saxe e o Conde d'Eu, que era um =
pr=EDncipe da=20
Casa de Orleans.<BR>Portanto,<BR>muito proximamente aparentado com o =
marido=20
dela. O Duque de Saxe<BR>estava<BR>destinado =E0 Princesa Isabel e o =
Conde d'Eu a=20
Da. Leopoldina. Mas,<BR>chegando<BR>aqui, os noivos viram que n=E3o =
combinavam, e=20
resolveram trocar. A<BR>Princesa<BR>Isabel escreve, com muito charme: =
Deus e=20
nossos cora=E7=F5es decidiram de<BR>outra<BR>maneira. O Conde d'Eu se =
casou ent=E3o=20
com a Princesa Isabel, e Da.<BR>Leopoldina<BR>com o Duque de Saxe. O =
Conde d'Eu,=20
segundo Hermes Vieira, se sentia<BR>bem ao<BR>lado dela. Era simples, =
boa,=20
afetuosa e pura. Possu=EDa uma voz bem<BR>educada e<BR>tocava piano com =
sentimento=20
e gra=E7a. Tinha uma sadia ingenuidade, uma<BR>singeleza de id=E9ias, =
quer dizer,=20
uma clareza de id=E9ias admir=E1vel,<BR>al=E9m de<BR>muita =
sensibilidade. Isso, sem=20
falar dos seus talentos, da sua<BR>instru=E7=E3o<BR>pouco comum para a =
=E9poca.=20
Dominava corretamente o franc=EAs, o alem=E3o =
e<BR>o<BR>ingl=EAs.<BR><BR>Logo que a=20
Princesa Isabel se estabeleceu com casa pr=F3pria -<BR>no =
hoje<BR>pal=E1cio=20
Guanabara, que era o pal=E1cio Isabel da =E9poca - ela procurou,<BR>no =
seu<BR>papel=20
de princesa herdeira mas n=E3o regente, fomentar uma vida<BR>cultural =
e<BR>social=20
no Rio de Janeiro. Ent=E3o havia toda semana um ser=E3o e um<BR>jantar, =
mais<BR>ou=20
menos elegante, mais ou menos cultural etc. Isso para fomentar=20
a<BR>cultura<BR>geral na Corte. E eram bastante concorridos esses =
ser=F5es. O=20
pr=F3prio<BR>Imperador ia uma vez por semana na casa da filha para =
jantar com=20
ela.<BR>Em<BR>1871, por motivo da viagem do casal imperial, Isabel=20
prestou<BR>juramento como<BR>Regente do Imp=E9rio perante as Duas =
C=E2maras. "Juro=20
manter a Religi=E3o<BR>Cat=F3lica<BR>Apost=F3lica Romana, a integridade =
e=20
indivisibilidade do Imp=E9rio,<BR>observar e<BR>fazer observar a =
Constitui=E7=E3o=20
pol=EDtica da Na=E7=E3o Brasileira e mais<BR>leis do<BR>Imp=E9rio, e =
prover o bem do=20
Brasil quanto a mim couber. Juro<BR>fidelidade ao<BR>Imperador e =
entregar-lhe o=20
governo logo que cessar o seu<BR>impedimento"<WBR>.<BR><BR>Nesse mesmo =
ano, a 27=20
de setembro, sendo presidente do<BR>Conselho o<BR>visconde do Rio =
Branco, pai do=20
bar=E3o do Rio Branco, foi votada a Lei<BR>do<BR>Ventre Livre, na =
sess=E3o que ficou=20
chamada Sess=E3o das Flores. Quando<BR>aprovada<BR>a Lei do Ventre =
Livre, uma=20
chuva de rosas desatou-se no plen=E1rio da<BR>Assembl=E9ia. O ministro =
dos Estados=20
Unidos no Rio de Janeiro colheu<BR>algumas<BR>dessas flores, e disse: =
"Vou=20
mandar estas flores para meu pa=EDs, para<BR>mostrar<BR>como aqui se fez =
uma lei=20
que l=E1 custou tanto sangue". A Guerra de<BR>Secess=E3o<BR>nos Estados =
Unidos=20
custara seiscentos mil mortos. N=E3o =E9 preciso =
dizer<BR>mais<BR>nada.<BR><BR>Em=20
1876, na segunda reg=EAncia, come=E7ou uma campanha de detra=E7=E3o =
pelos<BR>c=EDrculos=20
republicanos positivistas, ma=E7=F4nicos tamb=E9m, contra =
a<BR>Princesa<BR>Isabel, por=20
causa de seu catolicismo. Eles viam que ela - por sua<BR>firmeza=20
de<BR>princ=EDpios, por sua forma=E7=E3o profundamente cat=F3lica, mas =
tamb=E9m=20
pelo<BR>pulso<BR>que demonstrou nas reg=EAncias - seria uma imperatriz =
que faria=20
da<BR>Terra de<BR>Santa Cruz realmente uma exce=E7=E3o no mundo. Ela =
exerceria uma=20
profunda<BR>influ=EAncia por sua autenticidade, sua cultura, sua =
religiosidade,=20
e<BR>por tudo<BR>aquilo que pode elevar o esp=EDrito de um povo. Isso =
eles n=E3o=20
queriam,<BR>ent=E3o<BR>come=E7aram a campanha de detra=E7=E3o: era feia; =
n=E3o era=20
patriota; n=E3o<BR>gostava do<BR>Brasil; preferia ter m=E9dicos =
franceses a=20
brasileiros. E quantas outras<BR>cal=FAnias. O Conde d'Eu era um =
surd=E3o,=20
arrogante, mantinha corti=E7o.<BR>At=E9 a<BR>surdez =96 da qual ele, =
coitado, n=E3o=20
tinha culpa =96 era assacada em<BR>meio =E0s<BR>cal=FAnias. De tal =
maneira que, pouco=20
a pouco, foram demonizando esse<BR>casal,<BR>para evitar que mais tarde =
subissem=20
ao trono. Dizia-se, em certos<BR>c=EDrculos,<BR>que era preciso fazer a =
rep=FAblica=20
logo, porque se a Princesa Isabel<BR>subisse,<BR>acabaria com todo esse=20
movimento ateu, positivista e republicano. Ela<BR>teria<BR>pulso, teria=20
prest=EDgio para fazer isso. Tornou-se corrente a frase:<BR>"Precisamos =
fazer a=20
rep=FAblica enquanto o velho est=E1 vivo, sen=E3o a<BR>filha =
dar=E1<BR>cabo de=20
n=F3s".<BR><BR>Em 1888 foi a Lei =C1urea. Caindo o gabinete Cotegipe, a=20
Princesa<BR>Isabel<BR>chamou o Conselheiro Jo=E3o Alfredo Corr=EAa de =
Oliveira,=20
abolicionista, =E0<BR>presid=EAncia do Conselho. Ele fez votar a Lei =
=C1urea e a=20
apresentou<BR>para a<BR>assinatura da Princesa Isabel. O Conde d'Eu, =
nessa=20
ocasi=E3o, teve um<BR>momento<BR>de hesita=E7=E3o : "N=E3o o assine, =
Isabel. =C9 o fim da=20
Monarquia". Ao que<BR>ela<BR>respondeu: "Assin=E1-lo-ei, Gaston. Se =
agora n=E3o o=20
fizer, talvez nunca<BR>mais<BR>tenhamos uma oportunidade t=E3o =
prop=EDcia. O negro=20
precisa de liberdade,<BR>assim<BR>como eu necessito satisfazer ao nosso =
Papa e=20
nivelar o Brasil, moral e<BR>socialmente, aos demais pa=EDses=20
civilizados"<WBR>.<BR><BR>Depois da assinatura, grande festa no Rio de =
Janeiro,=20
o povo<BR>aclamando etc. Estando a Princesa Isabel junto ao bar=E3o de =
Cotegipe=20
na<BR>janela do pal=E1cio =96 o bar=E3o a estimava, s=F3 estavam em =
desacordo=20
na<BR>quest=E3o<BR>da escravid=E3o =96 ela lhe indagou: "Ent=E3o, senhor =
Bar=E3o, V.=20
Excia. acha<BR>que<BR>foi acertada a ado=E7=E3o da lei que acabo de =
assinar?". Ao=20
que o Bar=E3o,<BR>com<BR>muito carinho, respondeu: "Redimistes, sim, =
Alteza, uma=20
ra=E7a, mas<BR>perdestes<BR>vosso trono..."<BR><BR>D. Pedro II nesse =
momento=20
estava em Mil=E3o, muito doente e com<BR>a<BR>perspectiva de morte. Mas =
a 22 de=20
maio ele sentiu uma certa melhora e<BR>a<BR>Imperatriz teve a coragem de =
lhe dar=20
a not=EDcia da Aboli=E7=E3o. Diz<BR>Heitor Lira:<BR>"Enchendo-se de =
coragem, debru=E7ada=20
sobre a cabeceira do marido, deu-<BR>lhe com<BR>brandura a grande nova. =
O=20
Imperador abriu lentamente os olhos<BR>amaciados e<BR>depois perguntou =
como quem=20
ressuscitava: `N=E3o h=E1 mais escravos no<BR>Brasil?'.<BR>`N=E3o - =
respondeu a=20
Imperatriz - a lei foi votada no dia 13. A<BR>escravid=E3o<BR>est=E1 =
abolida'.=20
`Demos gra=E7as a Deus. Telegrafe imediatamente a Isabel<BR>enviando-lhe =
minha=20
b=EAn=E7=E3o e todos os agradecimentos para o Pa=EDs'.<BR>Houve =
um<BR>momento de=20
sil=EAncio. A emo=E7=E3o dos presentes era grande.=20
Virando-se<BR>depois,<BR>lentamente, o Imperador acrescentou com voz =
quase=20
sumida =96 `Grande<BR>povo,<BR>grande povo' - e desatou a chorar de =
emo=E7=E3o. O=20
telegrama que foi<BR>mandado =E0<BR>Princesa Isabel tinha o seguinte =
teor:=20
`Princesa Imperial. Grande<BR>satisfa=E7=E3o<BR>para meu cora=E7=E3o e =
gra=E7as a Deus=20
pela aboli=E7=E3o da escravid=E3o.<BR>Felicita=E7=E3o<BR>para v=F3s e =
todos os brasileiros.=20
Pedro e Tereza'".<BR><BR>O Papa Le=E3o XIII resolveu premiar a Princesa =
Isabel com=20
a<BR>maior<BR>distin=E7=E3o que os Soberanos Pont=EDfices davam a chefes =
de Estado e=20
a<BR>pessoas<BR>de grande relevo, nas ocasi=F5es em que eles adquiriam=20
m=E9ritos<BR>especiais.<BR>Enviando-lhe a Rosa de Ouro, que foi entregue =
a 28 de=20
setembro de<BR>1888, no<BR>17o anivers=E1rio da promulga=E7=E3o da Lei =
do Ventre=20
Livre. A data foi<BR>escolhida<BR>pelo pr=F3prio N=FAncio Apost=F3lico, =
para a=20
cerim=F4nia que se realizou com<BR>toda<BR>magnific=EAncia na capela =
imperial.=20
Entretanto, apesar de tudo,<BR>continuou a<BR>campanha de detra=E7=E3o =
contra a=20
monarquia, agora contra o Imperador: o<BR>velho<BR>est=E1 gag=E1; ele =
dorme o tempo=20
todo; o Conde d'Eu e a Princesa Isabel<BR>v=E3o se<BR>tornar tiranos =
aqui; e toda=20
uma leva de cal=FAnias, espalhadas por todo<BR>o<BR>Pa=EDs.<BR><BR>A 15 =
de novembro,=20
os militares que estavam no Rio de Janeiro =96<BR>eram<BR>uma minoria,=20
representavam um ter=E7o do Ex=E9rcito Brasileiro =96<BR>proclamaram =
a<BR>Rep=FAblica. O=20
golpe foi totalmente alheio =E0 vontade do povo, tanto =E9<BR>que =
eles<BR>embarcaram=20
a Fam=EDlia Imperial =E0 noite, rumo ao ex=EDlio, para que =
n=E3o<BR>houvesse<BR>rea=E7=E3o=20
popular. Na partida, a Princesa Isabel passando junto =E0 =
mesa<BR>onde<BR>havia=20
assinado a Lei =C1urea, bateu em cima e disse: "Mil tronos<BR>houvera,=20
mil<BR>tronos eu sacrificaria para libertar a ra=E7a negra".<BR><BR>D. =
Pedro II=20
recusou 5 mil contos de r=E9is - cerca de 4<BR>toneladas e<BR>meia de =
ouro, uma=20
fortuna - que lhe ofereceram os revoltosos, porque,<BR>dizia, o governo =
n=E3o=20
tinha direito de dispor assim dos bens<BR>nacionais. Da.<BR>Tereza =
Cristina, mal=20
chegando a Portugal, morreu de desgosto no<BR>Grande Hotel<BR>do Porto. =
Eu=20
estive l=E1 alguns anos atr=E1s, quando o hotel inaugurou uma<BR>placa. =
E D. Pedro=20
II faleceu a 4 de dezembro de 1891, no Hotel<BR>Bedfor, em<BR>Paris, =
onde uma=20
placa recorda o passamento do ilustre h=F3spede. Tal<BR>era =
o<BR>prest=EDgio que=20
cercava sua pessoa, que a Rep=FAblica francesa =
lhe<BR>concedeu<BR>funerais=20
completos de Chefe de Estado.<BR><BR>Conde d'Eu e a Princesa Isabel =
compraram um=20
palacete em Boulogne-sur-<BR>Seine,<BR>que =E9 um bairro de Paris =
perif=E9rico mas=20
nobre. L=E1 ela abria seus<BR>sal=F5es para<BR>os brasileiros que iam =
visit=E1-los. E=20
n=E3o s=F3 isso. Conseguiu se impor<BR>na<BR>sociedade parisiense a tal =
ponto que=20
nas mem=F3rias de v=E1rias pessoas,<BR>era<BR>quase uma rainha daquela =
sociedade.=20
Era tida como a principal<BR>personalidade<BR>l=E1. Somente ela e o =
presidente da=20
Rep=FAblica podiam entrar de<BR>carruagem no<BR>p=E1tio interno da =
=D3pera de=20
Paris.<BR><BR>Uma indu, que se tornaria mais tarde Maarani =
Karkutula,<BR>escreve=20
em<BR>suas mem=F3rias, que ela via a Princesa Isabel como uma=20
verdadeira<BR>rainha, uma<BR>fada. N=E3o s=F3 isso =96 uma rainha, uma =
fada =96 mas,=20
mais uma vez, com<BR>toda a<BR>bondade brasileira e cat=F3lica, que era =
pr=F3pria da=20
Princesa Isabel. A<BR>Maarani<BR>conta que, quando menina, teve uma =
crise aguda=20
de apendicite. Operada<BR>com os<BR>recursos incipientes da =E9poca, =
passou uma=20
longa convalescen=E7a no<BR>hospital. A<BR>sociedade parisiense toda, =
curiosa, ia=20
visit=E1-la. Ela dizia que se<BR>sentia um<BR>bichinho ex=F3tico, que as =
pessoas iam=20
ver como num zool=F3gico, e a<BR>=FAnica que<BR>foi visit=E1-la com =
bondade e para lhe=20
fazer bem, foi a Princesa<BR>Isabel. Ela<BR>conta que a Princesa Isabel =
se=20
aproximou do seu leito, agradou-a<BR>muito,<BR>acariciou, consolou etc. =
E no=20
fim, disse: "Minha filha, eu n=E3o sei que<BR>religi=E3o voc=EA tem. Mas =
sei que h=E1 um=20
Deus que ama todas as crian=E7as do<BR>mundo. Aqui est=E1 uma imagem da =
m=E3e dele.=20
Guarde-a consigo, e quando<BR>voc=EA<BR>estiver numa grande afli=E7=E3o, =
pe=E7a a ela=20
para interceder junto ao Deus<BR>verdadeiro". A Maarani n=E3o se =
converteu =E0=20
Igreja Cat=F3lica, permaneceu<BR>pag=E3<BR>at=E9 o fim da vida, mas nos =
momentos de=20
apuro se ajoelhava diante da<BR>imagem<BR>de Nossa Senhora, que a =
Princesa=20
Isabel tinha lhe dado. Porque ela<BR>sabia que<BR>seria =
ouvida.<BR><BR>Santos=20
Dumont, nessa =E9poca, fazia suas experi=EAncias em Paris.<BR>Sabendo =
que ele=20
passava muito tempo no campo onde fazia =
seus<BR>experimentos,<BR>mandava-lhe=20
farn=E9is para que ele n=E3o precisasse voltar =E0 cidade =
para<BR>almo=E7ar. Certa vez,=20
escreveu-lhe: "Sr. Santos Dumond, envio-lhe uma<BR>medalha<BR>de S. =
Benedito,=20
que protege contra acidentes. Aceite-a e use-a na<BR>corrente<BR>de seu =
rel=F3gio,=20
na sua carteira ou no seu pesco=E7o. Ofere=E7o-a pensando<BR>em =
sua<BR>boa m=E3e, e=20
pedindo a Deus que o socorra sempre e ajude a trabalhar<BR>para =
a<BR>gl=F3ria de=20
nossa P=E1tria". E noutra ocasi=E3o: "Suas evolu=E7=F5es =
a=E9reas<BR>fazem-me<BR>recordar=20
nossos grandes p=E1ssaros do Brasil. Oxal=E1 possa, o Sr., tirar<BR>de=20
seu<BR>propulsor o partido que aqueles tiram de suas pr=F3prias asas,=20
e<BR>triunfar para<BR>a gl=F3ria de nossa querida =
P=E1tria".<BR><BR>Muito tocante=20
tamb=E9m =E9 o fim da carta que ela escreveu para =
o<BR>Diret=F3rio<BR>Mon=E1rquico, para=20
anunciar os casamentos de seus filhos mais velhos. O<BR>Diret=F3rio era =
composto=20
pelo Conselheiro Jo=E3o Alfredo Corr=EAa de<BR>Oliveira,<BR>pelo =
Visconde de Ouro=20
Preto e pelo Conselheiro Lafaiete. A carta =E9<BR>datada<BR>de 9 de =
setembro de=20
1908: "Minhas for=E7as n=E3o s=E3o o que eram, mas =
o<BR>meu<BR>cora=E7=E3o =E9 o mesmo para=20
amar a minha P=E1tria e todos aqueles que lhe s=E3o<BR>dedicados. Toda a =
minha=20
amizade e confian=E7a". Quer dizer, era o jeito<BR>brasileiro, a bondade =

brasileira perfeitamente encarnada naquela<BR>senhora.<BR><BR>Uma outra =
amostra=20
de seu profundo interesse pelo Brasil est=E1<BR>numa<BR>carta ao Cons. =
Jo=E3o=20
Alfredo. O Banco do Brasil, n=E3o me recordo agora<BR>no<BR>per=EDodo de =
qual=20
presidente, estava num descalabro =
propriamente<BR>republicano:<BR>desordem=20
completa; contas n=E3o estavam acertadas;=20
funcionalismo<BR>completamente<BR>rebelde. E o presidente da Rep=FAblica =
concluiu=20
ent=E3o que o =FAnico que<BR>teria<BR>intelig=EAncia, for=E7a, garra e =
pulso para p=F4r=20
ordem ali seria o Cons.<BR>Jo=E3o<BR>Alfredo, e o convidou a assumir a =
presid=EAncia=20
do Banco do Brasil. Jo=E3o<BR>Alfredo respondeu: "Eu sou monarquista, e =
portanto=20
s=F3 posso aceitar<BR>esse<BR>cargo se a minha Imperatriz autorizar". =
Escreveu =E0=20
Princesa Isabel,<BR>explicando o caso, e ela respondeu: "Para o bem de =
nossa=20
P=E1tria, o<BR>Sr. deve<BR>aceitar". Jo=E3o Alfredo assumiu a =
presid=EAncia do Banco=20
do Brasil, p=F4s<BR>em<BR>ordem o funcionalismo, p=F4s em ordem a =
contabilidade.=20
Pagou todos os<BR>atrasados, todas as d=EDvidas, deixou tudo em perfeito =
estado.=20
Depois<BR>pediu<BR>demiss=E3o e morreu pobre, porque n=E3o levou um =
tost=E3o daquela=20
gest=E3o.<BR>Outros<BR>tempos! Hoje em dia... (risos...)<BR><BR>Agora =
uma carta da=20
Princesa Isabel =E0 irm=E3 de um monarquista<BR>eleito<BR>deputado, =
Ricardo=20
Gumbelton, de uma boa fam=EDlia, muito conhecida.<BR>Ele n=E3o<BR>queria =
aceitar o=20
cargo de deputado, e a princesa Isabel diz: =
"N=E3o<BR>concordo,<BR>absolutamente!=20
Diga ao seu irm=E3o que ele deve aceitar a cadeira de<BR>deputado<BR>e =
propugnar=20
pela grandeza moral, econ=F4mica e social de nossa =
P=E1tria.<BR>N=E3o<BR>aceitando =E9=20
que ele estar=E1 procedendo de maneira contr=E1ria aos<BR>interesses=20
da<BR>coletividade. N=E3o nos deve importar o regime pol=EDtico sob que =
esteja=20
o<BR>Brasil, mas sim conseguir-se colaboradores de boa vontade capazes=20
de<BR>elevar<BR>o nosso Pa=EDs. De homens como ele =E9 que o Brasil =
precisa para=20
ascender<BR>mais,<BR>para fortalecer-se mais. Fa=E7a-lhe sentir que =
reprovo sua=20
recusa". Quer<BR>dizer, o bem do Brasil estava acima dos interesses=20
pr=F3prios.<BR><BR>Ela ainda viveu at=E9 1921. Cada vez mais fraca, mas =
sempre=20
com<BR>aquela<BR>grande classe, com aquele grande porte. Nas fotografias =
dela=20
no<BR>ex=EDlio, ela<BR>tem um porte imperial que n=E3o tinha aqui no =
Brasil. No=20
infort=FAnio, a<BR>no=E7=E3o<BR>da miss=E3o dela foi se cristalizando =
cada vez mais, e=20
ela era<BR>realmente,<BR>nessas fotografias, uma imperatriz. No batizado =
de meu=20
pai =96 pena que<BR>eu n=E3o<BR>tenha aqui a fotografia, que gostaria de =
apresentar=20
para as senhoras<BR>e os<BR>senhores =96 ela =E9 uma senhora de uma =
nobreza e de uma=20
categoria<BR>impressionantes. E foi assim at=E9 o fim da =
vida.<BR><BR>Morreu sem=20
poder voltar ao Brasil. Ela representou na Fran=E7a<BR>o que<BR>havia de =
melhor no=20
Brasil. Muito mais do que nosso corpo diplom=E1tico,<BR>muito<BR>mais do =
que=20
nossos homens de neg=F3cio, ela foi um exemplo do que o<BR>Brasil =
era<BR>ou=20
deveria ser. E a Fran=E7a entendeu isso. Assis Chateaubriand, em<BR>Juiz =

de<BR>Fora, a 28 de julho de 1934, escreveu: "Apagada a sua=20
estrela<BR>pol=EDtica,<BR>depois de vencida a tormenta da aboli=E7=E3o, =
ela n=E3o tinha=20
express=E3o<BR>dura, uma<BR>palavra amarga para julgar um fato ou um =
homem do=20
Brasil. No mais<BR>secreto<BR>de seu cora=E7=E3o, s=F3 lhe =
encontr=E1vamos a indulg=EAncia=20
e a bondade. Este<BR>esp=EDrito de conduta, esse desprendimento das =
paix=F5es em que=20
se viu<BR>envolvida, era a maior prova de fidelidade, no ex=EDlio, =E0=20
p=E1tria<BR>distante.<BR>Mais de 30 anos de separa=E7=E3o for=E7ada =
n=E3o macularam a=20
alvura dessa<BR>tradi=E7=E3o<BR>de toler=E2ncia, de anistia aos agravos =
do passado,=20
que ela herdara do<BR>trono<BR>paterno".<BR><BR>Faleceu no castelo d'Eu. =

Apagou-se suavemente, docemente. A=ED<BR>sim, a<BR>Rep=FAblica =
reconheceu o que o=20
Brasil tinha perdido. Epit=E1cio Pessoa<BR>determinou tr=EAs dias de =
luto nacional,=20
e que fossem celebradas<BR>ex=E9quias de<BR>Chefe de Estado. Tamb=E9m a =
C=E2mara=20
Federal votou que seu corpo fosse<BR>trazido<BR>para o Brasil num vaso =
de=20
guerra, o que s=F3 se realizou em 1953. Em 13<BR>de<BR>maio de 1971, seu =
corpo e o=20
do Conde d'Eu foram levados solenemente =E0<BR>catedral de Petr=F3polis, =
e l=E1=20
repousam =E0 espera da ressurrei=E7=E3o dos<BR>mortos e<BR>do ju=EDzo de =

Deus.<BR><BR>Essa era a grande mulher que nosso Brasil tinha. Ela n=E3o =
foi=20
uma<BR>grande<BR>intelectual. Foi uma princesa at=E9 o fundo da alma. =
Foi uma=20
patriota<BR>at=E9 o<BR>fundo da alma. Uma senhora que sabia que tinha =
nascido para=20
o bem de<BR>um<BR>pa=EDs, e encarnou essa miss=E3o na P=E1tria e no =
ex=EDlio at=E9 o fim=20
da vida.<BR>Foi um<BR>exemplo de princesa, um exemplo de imperatriz, um =
exemplo=20
de<BR>cat=F3lica. Ela<BR>foi o tipo perfeito do que deveria ser a mulher =

brasileira. (aplausos)<BR><BR>Se houver alguma pergunta, estou =E0=20
disposi=E7=E3o.<BR><BR>Aparte: V. Alteza antecipou alguma coisa na =
palestra, mas=20
fa=E7o apenas<BR>um<BR>coment=E1rio, por curiosidade. =C9 a respeito =
dessa medalha que=20
foi<BR>encaminhada<BR>ao Santos Dumont, porque se propagava que Santos =
Dumont=20
era um homem<BR>ateu.<BR>Mas, na verdade, essa medalha - na tradu=E7=E3o =
constou=20
como medalha de<BR>S.<BR>Benedito, mas =E9 uma medalha de S. Bento - ele =
a usou no=20
pulso direito<BR>at=E9 o<BR>fim da vida, e ele mostrava essa medalha. =
Talvez, quem=20
sabe, Deus<BR>tenha<BR>tocado a alma dele, de algum modo.<BR><BR>D. =
Luiz: Quem=20
sabe. Deus queira! Isso mostra quanto a Princesa Isabel<BR>representava =
para os=20
brasileiros, e neste caso um brasileiro de<BR>escol!<BR><BR>Aparte: Ele =
mandou=20
fazer uma c=F3pia em ouro dessa medalha, e a deu de<BR>presente =E0 =
primeira=20
aviadora brasileira, An=E9sia Pinheiro Machado, que<BR>tinha<BR>sido =
brevetada com=20
apenas 18 anos de idade. Ela usou tamb=E9m a medalha<BR>at=E9 o<BR>fim =
da=20
vida.<BR><BR>Aparte: N=E3o foi apenas coincid=EAncia a lei do banimento =
ser=20
extinta<BR>somente<BR>ap=F3s a morte dela. Porque, se a Princesa =
voltasse para o=20
Brasil em<BR>vida,<BR>certamente a Rep=FAblica balan=E7aria.<BR><BR>D. =
Luiz: =C9=20
preciso dizer o seguinte. Em 1920 houve umas =
comemora=E7=F5es<BR>no<BR>Brasil em que=20
foram convidados os membros da Fam=EDlia Imperial, e =
ela<BR>poderia<BR>ter vindo,=20
mas a sa=FAde dela estava t=E3o alquebrada que ela n=E3o =
p=F4de<BR>empreender a viagem.=20
Vieram o Conde d'Eu e alguns membros da Fam=EDlia<BR>Imperial.Ela =
praticamente j=E1=20
n=E3o teria mais atua=E7=E3o aqui no Brasil.<BR>Mas o<BR>problema para a =
Rep=FAblica era=20
meu av=F4, D. Luiz de Orleans e Bragan=E7a,<BR>o<BR>chamado Pr=EDncipe =
Perfeito. Ele=20
era muito empreendedor, com muita<BR>garra,<BR>muito pulso, muito =
inteligente,=20
muito culto, muito viajado, e a<BR>Rep=FAblica o<BR>temia. Foi s=F3 =
depois da morte=20
dele, em 1921 tamb=E9m - antes do<BR>falecimento da<BR>Princesa Isabel, =
em=20
conseq=FC=EAncia de uma doen=E7a adquirida no fronte da<BR>I<BR>Guerra =
Mundial - que a=20
Rep=FAblica se sentiu segura para abolir a =
lei<BR>do<BR>banimento.<BR><BR>Por=20
ocasi=E3o das comemora=E7=F5es da Independ=EAncia, em 1922, o Conde =
d'Eu<BR>veio<BR>com=20
minha av=F3 paterna, meu pai e seus irm=E3os, e tamb=E9m com o filho =
D.<BR>Pedro<BR>de=20
Alc=E2ntara, que tinha renunciado ao trono. Ele veio aqui por=20
um<BR>sentimento<BR>de dever para com o Brasil tamb=E9m, porque com a =
ren=FAncia de=20
D. Pedro<BR>de<BR>Alc=E2ntara era perigoso que, apesar disso, se =
formassem=20
partidos,<BR>principalmente tendo meu av=F4 morrido. Ent=E3o o Conde =
d'Eu fez=20
quest=E3o<BR>de vir<BR>aqui para apresentar meu pai como herdeiro =
leg=EDtimo da=20
Princesa<BR>Isabel. Ele<BR>veio apesar de seus m=E9dicos desaconselharem =

formalmente a viagem. De<BR>fato,<BR>ele morreu a bordo do navio, antes =
de=20
chegar ao Rio de Janeiro. Sua<BR>atitude<BR>foi de um soldado indo ao =
campo de=20
batalha, sabendo que poderia<BR>sacrificar<BR>sua vida para o bem da=20
P=E1tria.<BR><BR>Fim da mensagem encaminhada =
---<BR><BR></P></DIV><!--~-|**|PrettyHtmlStart|**|-~--><SPAN=20
style=3D"COLOR: white" width=3D"1">__._,_.___</SPAN> <!-- Start the =
section with Message In topic -->
<DIV id=3Dygrp-actbar><SPAN class=3Dleft><A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/message/5011;_=
ylc=3DX3oDMTM0bXMzY2lwBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM=
3MTEyNjUzBG1zZ0lkAzUwMTEEc2VjA2Z0cgRzbGsDdnRwYwRzdGltZQMxMjA2MTkwNTE3BHRw=
Y0lkAzUwMTE-">Mensagens=20
neste t=F3pico </A>(<SPAN class=3Dbld>1</SPAN>) </SPAN><A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/post;_ylc=3DX3=
oDMTJwMmFvM21pBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyNjU=
zBG1zZ0lkAzUwMTEEc2VjA2Z0cgRzbGsDcnBseQRzdGltZQMxMjA2MTkwNTE3?act=3Dreply=
&amp;messageNum=3D5011"><SPAN=20
class=3Dbld>Responder </SPAN>(atrav=E9s da web) </A>| <A class=3Dbld=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/post;_ylc=3DX3=
oDMTJlYTduZjA4BF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyNjU=
zBHNlYwNmdHIEc2xrA250cGMEc3RpbWUDMTIwNjE5MDUxNw--">Adicionar=20
um novo t=F3pico </A></DIV><!-------     Start Nav Bar  ------><!-- =
|**|begin egp html banner|**| -->
<DIV id=3Dygrp-vitnav><A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/messages;_ylc=3D=
X3oDMTJlMGczZGswBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyN=
jUzBHNlYwNmdHIEc2xrA21zZ3MEc3RpbWUDMTIwNjE5MDUxNw--">Mensagens</A>=20
| <A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/links;_ylc=3DX=
3oDMTJmaHE1bzU1BF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyNj=
UzBHNlYwNmdHIEc2xrA2xpbmtzBHN0aW1lAzEyMDYxOTA1MTc-">Links</A>=20
| <A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/database;_ylc=3D=
X3oDMTJjdDFvamdlBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyN=
jUzBHNlYwNmdHIEc2xrA2RiBHN0aW1lAzEyMDYxOTA1MTc-">Banco=20
de dados</A> | <A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/members;_ylc=3D=
X3oDMTJlMWNjbmtsBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyN=
jUzBHNlYwNmdHIEc2xrA21icnMEc3RpbWUDMTIwNjE5MDUxNw--">Associados</A>=20
</DIV><!-- |**|end egp html banner|**| -->
<DIV id=3Dygrp-grft><!-- |**|begin egp html banner|**| -->Pro =
Monarquia<BR><A=20
href=3D"http://www.monarquia.org.br">http://www.monarquia.org.br</A><BR><=
!-- |**|end egp html banner|**| --></DIV><!-- yahoo logo --><!-- =
|**|begin egp html banner|**| -->
<DIV id=3Dygrp-ft><A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/;_ylc=3DX3oDMTJkOXN2NGVtBF9TAzk3NDkwND=
M3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyNjUzBHNlYwNmdHIEc2xrA2dmcARzdGl=
tZQMxMjA2MTkwNTE3"><IMG=20
height=3D19 alt=3D"Yahoo! Grupos"=20
src=3D"http://us.i1.yimg.com/us.yimg.com/i/br/groups/groups-brazil_1.gif"=
=20
width=3D108 border=3D0></A> <BR><A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/join;_ylc=3DX3=
oDMTJmNjFzazVuBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyNjU=
zBHNlYwNmdHIEc2xrA3N0bmdzBHN0aW1lAzEyMDYxOTA1MTc-">Alterar=20
configura=E7=F5es via web</A> (Requer Yahoo! ID) <BR>Alterar =
configura=E7=F5es via=20
e-mail: <A=20
href=3D"mailto:monarquiadobrasil-dig...@yahoogrupos.com.br?subject=3D =
Recebimento de e-mail: Lista de mensagens">Alterar=20
recebimento para lista di=E1ria de mensagens</A> | <A=20
href=3D"mailto:monarquiadobrasil-traditio...@yahoogrupos.com.br?subject=3D=
Alterar formato de distribui=E7=E3o: Tradicional">Alterar=20
formato para o tradicional</A> <BR><A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil;_ylc=3DX3oDMTJ=
kM2hicGwzBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyNjUzBHNl=
YwNmdHIEc2xrA2hwZgRzdGltZQMxMjA2MTkwNTE3">Visite=20
seu Grupo </A>| <A href=3D"http://br.yahoo.com/info/utos.html">Termos de =
uso do=20
Yahoo! Grupos </A>| <A=20
href=3D"mailto:monarquiadobrasil-unsubscr...@yahoogrupos.com.br?subject=3D=
">Sair do=20
grupo </A></DIV><!-- |**|end egp html banner|**| --></DIV><!-- ygrp-msg =
--><!-- Sponsor --><!-- |**|begin egp html banner|**| -->
<DIV id=3Dygrp-sponsor=20
style=3D"CLEAR: none; BACKGROUND: white; FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px =
25px; WIDTH: 160px"><!-- Network content --><!-- Start Recommendations =
-->
<DIV id=3Dygrp-reco></DIV><!-- End Recommendations --><!-- Start =
vitality -->
<DIV id=3Dygrp-vital>
<DIV id=3Dvithd>Atividade nos =FAltimos dias</DIV>
<UL=20
style=3D"PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-BOTTOM: 0px; =
MARGIN: 2px 0px; PADDING-TOP: 0px; LIST-STYLE-TYPE: none">
  <LI style=3D"CLEAR: both">
  <DIV class=3Dct style=3D"FLOAT: right"><SPAN=20
  style=3D"DISPLAY: none">&nbsp;</SPAN>2</DIV>
  <DIV class=3Dcat><A=20
  =
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/members;_ylc=3D=
X3oDMTJmcm9ocGIxBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyN=
jUzBHNlYwN2dGwEc2xrA3ZtYnJzBHN0aW1lAzEyMDYxOTA1MTc-">Novos=20
  usu=E1rios</A></DIV>
  <LI style=3D"CLEAR: both">
  <DIV class=3Dct style=3D"FLOAT: right"><SPAN=20
  style=3D"DISPLAY: none">&nbsp;</SPAN>1</DIV>
  <DIV class=3Dcat><A=20
  =
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil/links;_ylc=3DX=
3oDMTJndGZ2OXBiBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyNj=
UzBHNlYwN2dGwEc2xrA3ZsaW5rcwRzdGltZQMxMjA2MTkwNTE3">Novos=20
  links</A></DIV></LI></UL><A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/group/monarquiadobrasil;_ylc=3DX3oDMTJ=
lZGxzbXZrBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzQyMTIzNjMEZ3Jwc3BJZAMyMTM3MTEyNjUzBHNl=
YwN2dGwEc2xrA3ZnaHAEc3RpbWUDMTIwNjE5MDUxNw--">Visite=20
seu Grupo </A></DIV><!-- Network content -->
<DIV id=3Dnc>
<DIV class=3Dad>
<DIV id=3Dhd1>Yahoo! Mail</DIV>
<P><A=20
href=3D"http://us.lrd.yahoo.com/_ylc=3DX3oDMTJsZnI4djdiBF9TAzk3NDkwNDM3BF=
9wAzEEZ3JwSWQDNDIxMjM2MwRncnBzcElkAzIxMzcxMTI2NTMEc2VjA25jbW9kBHNsawNtYWl=
sBHN0aW1lAzEyMDYxOTA1MTc-;_ylg=3D1/SIG=3D10ujd6ds6/**http%3A//mail.yahoo.=
com.br/">Conecte-se=20
ao mundo</A></P>
<P>Prote=E7=E3o anti-spam</P>
<P>Muito mais espa=E7o</P></DIV>
<DIV class=3Dad>
<DIV id=3Dhd1>Yahoo! Barra</DIV>
<P><A=20
href=3D"http://us.lrd.yahoo.com/_ylc=3DX3oDMTJvMDhsZmFhBF9TAzk3NDkwNDM3BF=
9wAzIEZ3JwSWQDNDIxMjM2MwRncnBzcElkAzIxMzcxMTI2NTMEc2VjA25jbW9kBHNsawN0b29=
sYmFyBHN0aW1lAzEyMDYxOTA1MTc-;_ylg=3D1/SIG=3D111ngvtas/**http%3A//br.tool=
bar.yahoo.com/">Instale=20
gr=E1tis</A></P>
<P>Buscar sites na web</P>
<P>Checar seus e-mails .</P></DIV>
<DIV class=3Dad>
<DIV id=3Dhd1>Yahoo! Grupos</DIV>
<P><A=20
href=3D"http://br.groups.yahoo.com/;_ylc=3DX3oDMTJvN3FtMjcxBF9TAzk3NDkwND=
M3BF9wAzMEZ3JwSWQDNDIxMjM2MwRncnBzcElkAzIxMzcxMTI2NTMEc2VjA25jbW9kBHNsawN=
ncm91cHMyBHN0aW1lAzEyMDYxOTA1MTc-">Crie=20
seu pr=F3prio grupo</A></P>
<P>A melhor forma de comunica=E7=E3o</P>
<P></P></DIV></DIV></DIV><!-- |**|end egp html banner|**| -->
<DIV style=3D"CLEAR: both; FONT-SIZE: 1px; COLOR: =
#fff">.</DIV></DIV><IMG height=3D1=20
src=3D"http://geo.yahoo.com/serv?s=3D97490437/grpId=3D4212363/grpspId=3D2=
137112653/msgId=3D5011/stime=3D1206190517/nc1=3D1/nc2=3D2/nc3=3D3"=20
width=3D1> <BR><SPAN style=3D"COLOR: white">__,_._,___</SPAN> =
<!--~-|**|PrettyHtmlEnd|**|-~--><!--~-|**|PrettyHtmlStart|**|-~-->
<STYLE type=3Dtext/css>#ygrp-mkp {
	BORDER-RIGHT: #d8d8d8 1px solid; PADDING-RIGHT: 14px; BORDER-TOP: =
#d8d8d8 1px solid; PADDING-LEFT: 14px; PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 14px =
0px; BORDER-LEFT: #d8d8d8 1px solid; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: =
#d8d8d8 1px solid; FONT-FAMILY: Arial
}
#ygrp-mkp HR {
	BORDER-RIGHT: #d8d8d8 1px solid; BORDER-TOP: #d8d8d8 1px solid; =
BORDER-LEFT: #d8d8d8 1px solid; BORDER-BOTTOM: #d8d8d8 1px solid
}
#ygrp-mkp #hd {
	FONT-WEIGHT: bold; FONT-SIZE: 85%; MARGIN: 10px 0px; COLOR: #628c2a; =
LINE-HEIGHT: 122%
}
#ygrp-mkp #ads {
	MARGIN-BOTTOM: 10px
}
#ygrp-mkp .ad {
	PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-BOTTOM: 0px; =
PADDING-TOP: 0px
}
#ygrp-mkp .ad A {
	COLOR: #0000ff; TEXT-DECORATION: none
}
</STYLE>

<STYLE type=3Dtext/css>
<!--
#ygrp-sponsor #ygrp-lc{
  font-family: Arial;
}
#ygrp-sponsor #ygrp-lc #hd{
  margin: 10px 0px;
  font-weight: bold;
  font-size: 78%;
  line-height: 122%;
}
#ygrp-sponsor #ygrp-lc .ad{
  margin-bottom: 10px;
  padding: 0 0;
}
-->
</STYLE>

<STYLE type=3Dtext/css>
	<!--
	#ygrp-mlmsg {font-size:13px; font-family: =
arial,helvetica,clean,sans-serif;*font-size:small;*font:x-small;}
	#ygrp-mlmsg table {font-size:inherit;font:100%;}
	#ygrp-mlmsg select, input, textarea {font:99% =
arial,helvetica,clean,sans-serif;}
	#ygrp-mlmsg pre, code {font:115% monospace;*font-size:100%;}
	#ygrp-mlmsg * {line-height:1.22em;}
	#ygrp-text{
	    font-family: Georgia;=09
	}
	#ygrp-text p{
	    margin: 0 0 1em 0;
	}
	#ygrp-tpmsgs{
	    font-family: Arial;=09
	    clear: both;
	}
	#ygrp-vitnav{
		padding-top: 10px;
		font-family: Verdana;
		font-size: 77%;
		margin: 0;
	}
	#ygrp-vitnav a{
		padding: 0 1px;
	}
	#ygrp-actbar{
		clear: both;
		margin: 25px 0;
		white-space:nowrap;
		color: #666;
		text-align: right;
	}
	#ygrp-actbar .left{
		float: left;
		white-space:nowrap;
	}
	.bld{font-weight:bold;}
	#ygrp-grft{
		font-family: Verdana;
		font-size: 77%;
		padding: 15px 0;
	}
	#ygrp-ft{
	  font-family: verdana;
	  font-size: 77%;
	  border-top: 1px solid #666;=20
	  padding: 5px 0;=20
	}
	#ygrp-mlmsg #logo{
	  padding-bottom: 10px;
	}

	#ygrp-reco {
	margin-bottom: 20px;
	padding: 0px;
	}
	#ygrp-reco #reco-head {
		font-weight: bold;
		color: #ff7900;
	}

	#reco-grpname{
        font-weight: bold;
        margin-top: 10px;
  	}
	#reco-category{
        	font-size: 77%;
	}
	#reco-desc{
        	font-size: 77%;
	}

	#ygrp-vital{
		background-color: #e0ecee;
		margin-bottom: 20px;
		padding: 2px 0 8px 8px;
	}
	#ygrp-vital #vithd{
		font-size: 77%;
		font-family: Verdana;
		font-weight: bold;
		color: #333;
		text-transform: uppercase;
	}
	#ygrp-vital ul{
		padding: 0;
		margin: 2px 0;
	}
	#ygrp-vital ul li{
	  list-style-type: none;
	  clear: both;
	  border: 1px solid #e0ecee; =20
	}
	#ygrp-vital ul li .ct{
	  font-weight: bold;
	  color: #ff7900;
	  float: right;
	  width: 2em;
	  text-align:right;
	  padding-right: .5em;
	}
	#ygrp-vital ul li .cat{
	  font-weight: bold;
	}
	#ygrp-vital a{
		text-decoration: none;
	}

	#ygrp-vital a:hover{
	  text-decoration: underline;
	}

	#ygrp-sponsor #hd{
		color: #999;
		font-size: 77%;
	}
	#ygrp-sponsor #ov{
		padding: 6px 13px;
		background-color: #e0ecee;
		margin-bottom: 20px;
	}
	#ygrp-sponsor #ov ul{
		padding: 0 0 0 8px;
		margin: 0;
	}
	#ygrp-sponsor #ov li{
		list-style-type: square;
		padding: 6px 0;
		font-size: 77%;
	}
	#ygrp-sponsor #ov li a{
		text-decoration: none;
		font-size: 130%;
	}
	#ygrp-sponsor #nc{
	  background-color: #eee;
	  margin-bottom: 20px;
	  padding: 0 8px;
	}
	#ygrp-sponsor .ad{
		padding: 8px 0;
	}
	#ygrp-sponsor .ad #hd1{
		font-family: Arial;
		font-weight: bold;
		color: #628c2a;
		font-size: 100%;
		line-height: 122%;
	}
	#ygrp-sponsor .ad a{
		text-decoration: none;
	}
	#ygrp-sponsor .ad a:hover{
		text-decoration: underline;
	}
	#ygrp-sponsor .ad p{
		margin: 0;
	}
	o{font-size: 0; }
	.MsoNormal{
	   margin: 0 0 0 0;
	}
	#ygrp-text tt{
	  font-size: 120%;
	}
	blockquote{margin: 0 0 0 4px;}
	.replbq{margin:4}
	-->
	</STYLE>
<!--~-|**|PrettyHtmlEnd|**|-~--><!--End group email --></BODY></HTML>

------=_NextPart_000_000E_01C88C66.63A88340--


Crea un gruppo - Google Gruppi - Home page di Google - Termini di servizio - Norme sulla privacy
©2009 Google