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Fw: [monarquiadobrasil] Texto da Palestra de D. Luiz sobre a Princesa isabel.
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edutern...@jatainet.com.br  
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 Altre opzioni 23 Mar 2008, 01:47
Da: <edutern...@jatainet.com.br>
Data: Sat, 22 Mar 2008 21:47:56 -0300
Locale: Dom 23 Mar 2008 01:47
Oggetto: Fw: [monarquiadobrasil] Texto da Palestra de D. Luiz sobre a Princesa isabel.

----- Original Message -----
From: Jean Tamazato
To: monarquiadobra...@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, March 22, 2008 9:55 AM
Subject: [monarquiadobrasil] Texto da Palestra de D. Luiz sobre a Princesa isabel.

Prezados amigos,

Segue a transcricao da palestra de D. Luiz. Desculpe o problema de
tabulacao, pois retirei isso de um forum da Lepanto e ja estava com o
problema.

Cordialmente,

Jean Tamazato

---------------

Palestra de S.A.I.R o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança
16 de agosto de 2006 - sede da Pró Monarquia

A Princesa Isabel - 160 anos

Atendi com muito prazer ao amável convite para falar às
senhoras e
aos senhores sobre minha bisavó, a princesa Isabel, de memória tão
marcante,
que até o fim da vida soube representar aquilo que ela era, uma
princesa
brasileira, carinhosamente lembrada como a "Redentora" dos escravos.

Direi inicialmente algo sobre o contexto histórico, abordando
a
questão da escravidão, e pouco a pouco irei introduzindo a Princesa
Isabel,
para apresentar a personalidade dela, sua atuação, comentando o que
ela
poderia ter sido para o Brasil, se houvesse reinado como Imperatriz -
o
modelo de grande dama brasileira.

O problema da escravidão existiu desde quase o começo da
Humanidade.
Na Antiguidade, estima-se que só 10 por cento dos homens eram livres.
90 por
cento constituía a enorme massa de escravos que não tinham direito
algum. Os
senhores podiam fazer deles o que quisessem: vender, matar, mutilar;
usar
como cobaia; fazer os piores horrores que se possam imaginar. As
uniões, os
casamentos dos escravos podiam ser desfeitos ao bel prazer do senhor.
Eram
tratados como animais.

A Igreja Católica, com a conversão do Império Romano do Ocidente, se
empenhou em eliminar pouco a pouco a escravidão. Ela não o fez de uma

vez, pois causaria tais sobressaltos, que seria um perigo para a
sociedade e
para os Estados. Eu cito aqui um texto de Leão XIII, uma encíclica de
5 de
maio de 1888: "Não quis a Igreja apressar-se em obter a emancipação e
a
libertação dos escravos, posto que isso não podia realizar-se sem
alvoroço e
sem prejuízo para eles próprios e para as nações, mas preocupou-se
principalmente por que fossem as almas dos servos instruídas,
conforme as
suas capacidades, na religião cristã e que estes adotassem costumes em
concordância com o batismo recebido".

Quer dizer, a Igreja primeiro tratou das almas. Primeiro
tratou das
mentalidades. Depois, pouco a pouco, foi erodindo a instituição da
escravidão. Leão XIII continua: "Pacificadas depois as coisas, e
tranqüilos
os tempos para a Igreja, os ensinamentos apostólicos sobre a união
fraternal
dos espíritos entre os cristãos foram expostos com admirável
sabedoria pelos
Santos Padres e aplicados com igual caridade em defesa dos escravos,
esforçando-se em refutar que o direito dos senhores sobre o trabalho
dos
escravos fosse de absoluta honestidade; e que, sobretudo, fosse de
modo
algum lícito ao seu poder imperioso e à sua cruel sevícia atentar
contra
suas vidas".

A partir de Carlos Magno, que reinou de 760 a 815, no
Ocidente a
escravidão praticamente desapareceu. No século 9o, segundo o autor
americano
Rodney Stark em seu livro "A Vitória da Razão", a escravidão deixou de
existir na Europa. Vou citá-lo: "A escravidão acabou na Europa
medieval
somente porque a Igreja estendeu seus sacramentos a todos os escravos
e
depois trabalhou para impor a proibição da escravidão de cristãos e de
judeus. No contexto da Europa medieval, essa proibição foi de modo
efetivo,
uma lei de abolição universal". Continuou a haver escravidão no mundo
islâmico, onde, conforme explica o autor, "há uma única e insuperável
barreira para a condenação da escravidão: Maomé comprou, vendeu,
capturou e
possuiu escravos".

Hoje em dia, no Islã, ainda há escravos. Isso não é contado
na
mídia em geral, mas há escravidão, e uma boa parte do problema da
Somália e
daqueles países do leste da África provém do fato de que os maometanos
procuram escravizar os cristãos e torná-los seus animais de serviço.

Na Antiguidade, explica esse autor, o conceito de liberdade
não
existia. Só havia o conceito de sujeição. O conceito de liberdade foi
introduzido no Ocidente pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Paulatinamente a escravidão foi sendo substituída por um
regime
muito mais suave, que hoje em dia é demonizado, mas que de fato era
completamente diferente da escravidão - a servidão da gleba. O servo
da
gleba era alguém que recebia de um senhor um pedaço de terra e era
obrigado
a cultivá-la. Cultivá-la para seu proveito. Podia se casar. Podia
legar essa
gleba. Podia juntar um pecúlio. Podia, se quisesse, deixá-la, embora a
perdesse se a deixasse. Tinha unicamente que dar um dia da semana de
trabalho ao senhor. Um dia da semana de trabalho por semana
corresponde a um
sexto do que ele trabalhava.

Eu pergunto às senhoras e aos senhores: hoje em dia, com mais
de 38
por cento do PIB do Brasil absorvido pelo Estado, quem tem uma sorte
mais
cruel: o servo da gleba da Idade Média, ou nós, pobres cidadãos
livres de
uma república democrática? Não há comparação possível!

Os senhores tinham obrigações para com seus servos. Tinham que
administrar a justiça e ajudá-los em casos de penúria ou calamidade. O
castelo era, por assim dizer, o celeiro de toda a comunidade, onde se
guardavam os grãos para as épocas de más colheitas.

O senhor tinha obrigação de proteger seus servos em caso de
ataques
de inimigos. E os servos só podiam ser chamados às armas se o seu
torrão
fosse atacado. Eles não podiam ser recrutados, de maneira
compulsória, para
acompanhar seu senhor numa guerra contra outro senhor ou numa guerra
externa. Não havia o que só surgiu nos séculos 19 e 20 - o serviço
militar
obrigatório. Os servos eram livres.

Em Portugal não houve servidão da gleba. Passou-se da
escravidão
diretamente para o regime do senhorio, com camponeses livres. Na
Espanha
também não havia. Só na Catalunha houve feudalismo, e portanto servos
da
gleba. No resto do país, não os houve. Mesmo a servidão da gleba na
Catalunha foi abolida em 1486, por Fernando o Católico.

No século 15, na França, a servidão da gleba já havia
desaparecido
completamente. Na Alemanha, estava sendo abolida nas províncias mais
do sul,
continuando ao leste. No leste europeu - eu incluo a Áustria, a
Hungria, a
Checoslováquia - um pouco, mas muito mitigada sempre pelo trabalho da
Igreja. Na Polônia, e principalmente na Rússia, a servidão da gleba se
prolongou por mais tempo.

Com a Renascença voltou a escravidão. Por que voltou?

O homem medieval era profundamente religioso. Ele tinha a
noção de
que sua finalidade principal era servir a Deus, amando-o sobre todas
as
coisas, e ter amor ao próximo por amor de Deus. Em conseqüência,
ficou muito
facilitado o trabalho da Igreja pela abolição da escravidão e da
servidão.
Entretanto, na Renascença voltou a aparecer o ideal de felicidade
pagã do
gozo da vida.

Como diz muito bem o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em seu
livro
Revolução e Contra-Revolução, na Renascença voltou o ideal de vida de
satisfazer o orgulho e a sensualidade, como os antigos romanos, os
antigos
gregos, os antigos egípcios. E com isso o egoísmo, o antropocentrismo
substituiu o teocentrismo medieval. E o homem, por via de
conseqüência,
voltou a ser o lobo do próprio homem. O gozo da vida era para ser
alcançado
a qualquer preço, a qualquer custo, passando por cima dos direitos,
das
conveniências. A Renascença foi uma volta colossal do paganismo
antigo, com
todas as suas abominações.

É verdade que, pela ação da Igreja, o Cristianismo ainda tinha
raízes muito profundas, que continuaram até nossos dias, embora se
erodindo
pouco a pouco, como é magistralmente bem descrito no referido livro
do Prof.
Plinio Corrêa de Oliveira. Mas voltaram várias aberrações.

A América foi a região onde espanhóis e portugueses
encontraram
pretexto para restaurar a escravidão. Muitos afirmavam que os índios
e os
negros não tinham alma, e que portanto eram verdadeiros animais.
Entretanto
a Igreja, desde o começo, se levantou contra isso.

Carlos V consultou o Papa Paulo III sobre se era lícito escravizar os
índios. E a resposta de Paulo III é lapidar. Na bula de 9 de junho de
1537
ele afirma: "A mesma verdade, que nem se pode enganar nem ser
enganada,
quando mandava os pregadores de sua Fé a exercitar esse ofício,
sabemos o
que disse: Ide e ensinai a todas as gentes.A todas disse,
indiferentemente,
porque todas são capazes de receber a doutrina de nossa Fé. (...) Sob
pretexto de que são incapazes de recebê-la, os põem em dura servidão,
e os
afligem e oprimem tanto, que ainda a servidão em que têm seus animais
apenas
é tão grande com que afligem a esta gente. Nós outros, pois, que
ainda que
indignos temos as vezes de Deus na terra e procuramos com todas as
forças
achar suas ovelhas, que ainda estão perdidas fora de seu rebanho, para
levá-las a ele, pois este é nosso ofício; conhecendo que aqueles
mesmos
índios, como verdadeiros homens, não somente são capazes da fé de
Cristo,
senão que acodem a ela, correndo com grandíssima prontidão, segundo
nos
consta; e querendo promover nestas cousas de remédio conveniente, com
autoridade Apostólica, pelo teor das presentes, determinamos, e
declaramos,
que os ditos índios, e todas as mais gentes que daqui em diante
vierem à
notícia dos cristãos, ainda que estejam fora da Fé de Cristo, não
sejam
privados, nem devem sê-los, de sua liberdade, nem do domínio de seus
bens, e
que não devem ser reduzidos à servidão. Dada em Roma, ano de 1537,
aos 9 de
julho, ano terceiro de nosso pontificado".

Fechou a questão. Roma locuta, causa finita. Uma
linguagem
que dá saudades!

A Igreja, apesar de tudo, tolerou a escravidão dos negros.
Por sua
doutrina, ela fazia com que eles fossem mais bem tratados aqui na
América do
Sul e na América Central. Muito mais bem tratados que entre os
pagãos. Ela
batizou os negros aqui trazidos. Casava-os segundo o rito católico.
Empenhava-se para que os casais não fossem separados, e eles
escapavam - foi
essa a razão que levou a Igreja a tolerá-la - a uma sorte muito mais
cruel,
se permanecessem como escravos na África.

A partir de fins do século 17 e durante o século 18, os territórios
portugueses da África foram governados pelos vice-reis do Brasil.
Portanto,
tudo que se tratava em África passava primeiro pelo Brasil. D. João VI
mandou o padre Vicente Pereira Pires, um baiano, como enviado junto
ao rei
do Daomé, para fazer uma aliança, um tratado. O que ele relata do que
viu é
espantoso. Naturalmente ele conta que os escravos que os portugueses
traziam
para cá eram comprados de outros reis negros, quando não de mercadores
árabes. Ele relata o tratamento que os escravos tinham na África. São
coisas
atrozes!

Quando algum escravo desagradava o rei negro, ele era
enterrado até
o pescoço e mantido até a morte sob o sol escaldante, untado com uma
substância que atraía os insetos. E se queria construir uma nova
choça, para
fazer uma certa argamassa ele mandava sangrar algumas centenas de
escravos,
como se sangra um animal. Recolhia aquele sangue, misturava com barro
e
fazia os tijolos para construir a choça. O fato é que, quando aqueles
escravos - que eram prisioneiros de guerra - sabiam que iam ser
vendidos
para mercadores portugueses, davam vivas, pulavam de alegria, porque
sabiam
que iam ter uma sorte muito mais humana do outro lado do Atlântico.
Notícias
disso atravessaram o oceano, e os negros da África sabiam dessa
realidade.

Os negros que vinham para o Brasil encontravam senhores
católicos.
Não só isso, mas encontravam uma virtude tipicamente brasileira, que
é a
grande bondade que impera em nosso País, herdada de Portugal, e que
aqui,
por assim dizer, se alargou de uma maneira extraordinária.

Há mil exemplos de como os escravos eram bem tratados por seus
senhores. Fala-se muito mais do tronco, do açoite, mas quase não se
fala da
dedicação que os escravos tinham pelos seus senhores. Isso só se dá
quando
há bons tratos. A mãe-preta, a ama-de-leite que amamentava o filho do
patrão, e que depois se tornava ama-seca e como que uma segunda mãe
para o
filho do patrão, permanecendo na família até a morte.

O pior escravagista - segundo o mito, barão de Cotegipe,
chefe da
bancada escravagista - quando ia ao Parlamento, ia de carruagem e
levava
consigo, além do cocheiro, um menino negro para levar recados, levar
uma
coisa aqui, acolá etc. Se começava a chover, o barão dizia: Zezinho,
Zezinho, vem cá, entra aqui na carruagem, para não pegar um resfriado.
Praticamente tratava-o como filho. E esse era o chefe dos
escravagistas no
Parlamento!

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira contava que sua avó, Da.
Gabriela
Ribeiro dos Santos, uma grande senhora que marcou muito a sociedade
paulista
no fim do século 19 e início do século 20, costumava conversar
longamente
com uma velha ex-escrava. Entretinham-se, recordando os velhos
tempos. Quer
dizer, era tratada como um membro da família. E não eram exceções.
Era a
regra geral em nosso grande, querido e bondoso Brasil.

Os escravos às vezes eram castigados. Mas conta-se que em
muitos
casos o fazendeiro dizia para a filha: Olha, vou ter que chicotear tal
escravo; quando o feitor levantar o chicote, você vem e me pede
misericórdia. É bem típico do jeitinho brasileiro!

Eles tinham também a possibilidade de comprar a própria
liberdade. A
alforria era uma instituição. Poucos sabem que a Caixa Econômica foi
fundada
para que os negros pudessem depositar suas economias, fazer um
pecúlio, e
finalmente comprar a liberdade.

Os escravos que obtinham a liberdade, freqüentemente ficavam
com
seus senhores. Recebiam um pedaço de terra. Alguns voltaram para a
África, e
lá se tornaram elite, pois tinham recebido a influência da sabedoria
cristã.
No meio da barbárie dos seus congêneres, faziam fortuna. Tornaram-se
grandes empresários, políticos etc. E a superioridade dos negros
brasileiros
é reconhecida na África - em Daomé, no Benin, na Costa do Marfim. Isso
mostra como foi vantajoso para os negros virem para o Brasil, apesar
do
regime de escravidão que, embora reprovável, foi tolerado como um mal
menor.

A Família Imperial se empenhou desde o começo pela abolição.
D.
Pedro I quis incluir uma cláusula com a abolição da escravidão na
primeira -
e única! - constituição do Império. Foi José Bonifácio que o demoveu,
dizendo que uma medida de tão grandes conseqüências causaria
convulsões,
problemas sociais e políticos, e no momento era inviável para o
Brasil, que
se arriscava a perder sua integridade, esfacelar-se em várias
repúblicas.
Mas os imperadores sempre tiveram essa meta diante dos olhos.

D. Pedro II premiava os senhores que libertavam seus escravos.
Fala-se muito do caderninho preto e do lápis fatídico de D. Pedro II.
É o
caderno onde ele anotava suas observações de viagem. Se encontrasse
algum
funcionário, um governador, uma pessoa qualquer indigna, ele anotava,
e essa
pessoa estava com a carreira cortada. O caderninho dele era muito
temido, e
o lápis dele era chamado lápis fatídico. Mas, é preciso dizer, esse
lápis
não era só fatídico, era também premiante. O senhor que libertava seus
escravos recebia uma comenda ou alguma honraria.

Joaquim Nabuco, que era um dos próceres da abolição, narra sua
estadia em Roma, pouco depois de passar por Londres, para tratar da
abolição. Com Leão XIII ele se empenhou para que o Papa escrevesse uma
encíclica contra a escravidão. No relato de viagem, que consta no
livro
"Minha Formação", no capítulo "O Papa e a Escravidão", ele
diz: "Descrevi ao
Papa o movimento abolicionista como tendo-se tornado,
proeminentemente, um
movimento da própria classe dos proprietários. E dei, como devia e é
justo,
aos operários desinteressados de última hora a maior parte, a solução
do
problema, que sem a sua generosidade seria insolúvel. Expus que não
havia na
história do mundo exemplo de humanidade de uma grande classe, igual à
desistência feita pelos senhores brasileiros de seus títulos de
propriedade
escrava. Quanto à Família Imperial, repetia ao Sumo Pontífice que o
que há
de feito em nossas leis, em favor dos escravos, é devido à iniciativa
e
imposição do Imperador, ainda que seja pouco".

Quer dizer, o Imperador estava limitado pela Constituição.
Mas o que
ele podia, ele fazia.

O Conde d'Eu, logo que terminou a Guerra do Paraguai - sendo o
comandante-em-chefe das forças aliadas -, e tratando de reorganizar e
levantar o Paraguai de suas ruínas, como primeira medida aboliu a
escravidão. Isso em 1870, 18 anos antes da Lei Áurea. É evidente que
ele fez
isso de acordo com o Imperador.

Agora, vamos à Princesa Isabel. D. Pedro II era casado com
Da.
Teresa Cristina Maria de Bourbon, das Duas Sicílias. Teve quatro
filhos,
dois varões e duas mulheres. Os filhos homens morreram cedo, e
portanto às
filhas transmitiu-se o direito de sucedê-lo no trono diretamente.
Primeiro
D. Isabel, que nasceu em 20 de julho de 1848, batizada a 15 de
novembro do
mesmo ano com o nome de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela
Rafaela
Gonzaga, na capela imperial, pelo Bispo Conde de Irajá. Padrinhos por
procuração: D. Fernando, rei de Portugal, e a rainha Maria Isabela,
viúva do
rei Francisco I da Áustria, sogra de D. Pedro II. Conta o livro de
Hermes
Vieira: "Antes do batismo, na escadaria da capela imperial, o
Imperador,
aproximando-se da filha e tomando-a nos braços, avançou um passo e a
apresentou ao povo, que lá fora, curioso, comprimido, correspondeu ao
gesto
do monarca ovacionando Sua Alteza e aos soberanos do Brasil. Ouviram-
se
então os sons heróicos do Hino Nacional, confundidos com o vozerio
consagratício da multidão, entoadas pelas bandas de música postadas no
passadiço e no coreto armado junto ao alpendre da torre da capela
imperial".

Da. Teresa Cristina, nossa 3a imperatriz, é da Casa de
Nápoles, que
é sumamente católica. É uma Casa que se esmerou sempre na aliança com
o
Papado, na defesa da Igreja. Por ocasião do chamado Risorgimento
Italiano,
perdeu seu trono porque não quis usurpar os Estados de outros
soberanos,
principalmente os Estados Pontifícios. Perdeu seu trono em 1860, dez
anos
antes da queda de Roma frente às tropas garibaldinas. Garibaldi e os
Savóia
concentraram todas as suas forças contra Nápoles, e só depois foram
atacar
os Estados Pontifícios.Da. Teresa Cristina recebeu, e transmitiu, essa
profunda formação católica à sua filha.

A Princesa Isabel realmente foi católica no fundo da alma, até o fim
da
vida. Com 14 anos ela prestou o juramento de estilo perante as Duas
Câmaras.
Aos 48 anos, foi reconhecida solenemente como herdeira presuntiva do
trono.
Em 1864 se casou com o conde d'Eu, como resultado de um fato
pitoresco e até
comovedor. D. Pedro II procurava noivos para suas duas filhas, a
Princesa
Isabel e Da. Leopoldina. E pediu à sua irmã, que era casada com o
príncipe
francês de Joinville - daí o nome de nossa cidade em Santa Catarina -
que
procurasse para suas sobrinhas dois noivos apropriados, entre as Casas
Européias. E a Princesa de Joinville encontrou dois primos irmãos: o
Duque
de Saxe e o Conde d'Eu, que era um príncipe da Casa de Orleans.
Portanto,
muito proximamente aparentado com o marido dela. O Duque de Saxe
estava
destinado à Princesa Isabel e o Conde d'Eu a Da. Leopoldina. Mas,
chegando
aqui, os noivos viram que não combinavam, e resolveram trocar. A
Princesa
Isabel escreve, com muito charme: Deus e nossos corações decidiram de
outra
maneira. O Conde d'Eu se casou então com a Princesa Isabel, e Da.
Leopoldina
com o Duque de Saxe. O Conde d'Eu, segundo Hermes Vieira, se sentia
bem ao
lado dela. Era simples, boa, afetuosa e pura. Possuía uma voz bem
educada e
tocava piano com sentimento e graça. Tinha uma sadia ingenuidade, uma
singeleza de idéias, quer dizer, uma clareza de idéias admirável,
além de
muita sensibilidade. Isso, sem falar dos seus talentos, da sua
instrução
pouco comum para a época. Dominava corretamente o francês, o alemão e
o
inglês.

Logo que a Princesa Isabel se estabeleceu com casa própria -
no hoje
palácio Guanabara, que era o palácio Isabel da época - ela procurou,
no seu
papel de princesa herdeira mas não regente, fomentar uma vida
cultural e
social no Rio de Janeiro. Então havia toda semana um serão e um
jantar, mais
ou menos elegante, mais ou menos cultural etc. Isso para fomentar a
cultura
geral na Corte. E eram bastante concorridos esses serões. O próprio
Imperador ia uma vez por semana na casa da filha para jantar com ela.
Em
1871, por motivo da viagem do casal imperial, Isabel prestou
juramento como
Regente do Império perante as Duas Câmaras. "Juro manter a Religião
Católica
Apostólica Romana, a integridade e indivisibilidade do Império,
observar e
fazer observar a Constituição política da Nação Brasileira e mais
leis do
Império, e prover o bem do Brasil quanto a mim couber. Juro
fidelidade ao
Imperador e entregar-lhe o governo logo que cessar o seu
impedimento".

Nesse mesmo ano, a 27 de setembro, sendo presidente do
Conselho o
visconde do Rio Branco, pai do barão do Rio Branco, foi votada a Lei
do
Ventre Livre, na sessão que ficou chamada Sessão das Flores. Quando
aprovada
a Lei do Ventre Livre, uma chuva de rosas desatou-se no plenário da
Assembléia. O ministro dos Estados Unidos no Rio de Janeiro colheu
algumas
dessas flores, e disse: "Vou mandar estas flores para meu país, para
mostrar
como aqui se fez uma lei que lá custou tanto sangue". A Guerra de
Secessão
nos Estados Unidos custara seiscentos mil mortos. Não é preciso dizer
mais
nada.

Em 1876, na segunda regência, começou uma campanha de detração pelos
círculos republicanos positivistas, maçônicos também, contra a
Princesa
Isabel, por causa de seu catolicismo. Eles viam que ela - por sua
firmeza de
princípios, por sua formação profundamente católica, mas também pelo
pulso
que demonstrou nas regências - seria uma imperatriz que faria da
Terra de
Santa Cruz realmente uma exceção no mundo. Ela exerceria uma profunda
influência por sua autenticidade, sua cultura, sua religiosidade, e
por tudo
aquilo que pode elevar o espírito de um povo. Isso eles não queriam,
então
começaram a campanha de detração: era feia; não era patriota; não
gostava do
Brasil; preferia ter médicos franceses a brasileiros. E quantas outras
calúnias. O Conde d'Eu era um surdão, arrogante, mantinha cortiço.
Até a
surdez - da qual ele, coitado, não tinha culpa - era assacada em
meio às
calúnias. De tal maneira que, pouco a pouco, foram demonizando esse
casal,
para evitar que mais tarde subissem ao trono. Dizia-se, em certos
círculos,
que era preciso fazer a república logo, porque se a Princesa Isabel
subisse,
acabaria com todo esse movimento ateu, positivista e republicano. Ela
teria
pulso, teria prestígio para fazer isso. Tornou-se corrente a frase:
"Precisamos fazer a república enquanto o velho está vivo, senão a
filha dará
cabo de nós".

Em 1888 foi a Lei Áurea. Caindo o gabinete Cotegipe, a Princesa
Isabel
chamou o Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, abolicionista, à
presidência do Conselho. Ele fez votar a Lei Áurea e a apresentou
para a
assinatura da Princesa Isabel. O Conde d'Eu, nessa ocasião, teve um
momento
de hesitação : "Não o assine, Isabel. É o fim da Monarquia". Ao que
ela
respondeu: "Assiná-lo-ei, Gaston. Se agora não o fizer, talvez nunca
mais
tenhamos uma oportunidade tão propícia. O negro precisa de liberdade,
assim
como eu necessito satisfazer ao nosso Papa e nivelar o Brasil, moral e
socialmente, aos demais países civilizados".

Depois da assinatura, grande festa no Rio de Janeiro, o povo
aclamando etc. Estando a Princesa Isabel junto ao barão de Cotegipe na
janela do palácio - o barão a estimava, só estavam em desacordo na
questão
da escravidão - ela lhe indagou: "Então, senhor Barão, V. Excia. acha
que
foi acertada a adoção da lei que acabo de assinar?". Ao que o Barão,
com
muito carinho, respondeu: "Redimistes, sim, Alteza, uma raça, mas
perdestes
vosso trono..."

D. Pedro II nesse momento estava em Milão, muito doente e com
a
perspectiva de morte. Mas a 22 de maio ele sentiu uma certa melhora e
a
Imperatriz teve a coragem de lhe dar a notícia da Abolição. Diz
Heitor Lira:
"Enchendo-se de coragem, debruçada sobre a cabeceira do marido, deu-
lhe com
brandura a grande nova. O Imperador abriu lentamente os olhos
amaciados e
depois perguntou como quem ressuscitava: `Não há mais escravos no
Brasil?'.
`Não - respondeu a Imperatriz - a lei foi votada no dia 13. A
escravidão
está abolida'. `Demos graças a Deus. Telegrafe imediatamente a Isabel
enviando-lhe minha bênção e todos os agradecimentos para o País'.
Houve um
momento de silêncio. A emoção dos presentes era grande. Virando-se
depois,
lentamente, o Imperador acrescentou com voz quase sumida - `Grande
povo,
grande povo' - e desatou a chorar de emoção. O telegrama que foi
mandado à
Princesa Isabel tinha o seguinte teor: `Princesa Imperial. Grande
satisfação
para meu coração e graças a Deus pela abolição da escravidão.
Felicitação
para vós e todos os brasileiros. Pedro e Tereza'".

O Papa Leão XIII resolveu premiar a Princesa Isabel com a
maior
distinção que os Soberanos Pontífices davam a chefes de Estado e a
pessoas
de grande relevo, nas ocasiões em que eles adquiriam méritos
especiais.
Enviando-lhe a Rosa de Ouro, que foi entregue a 28 de setembro de
1888, no
17o aniversário da promulgação da Lei do Ventre Livre. A data foi
escolhida
pelo próprio Núncio Apostólico, para a cerimônia que se realizou com
toda
magnificência na capela imperial. Entretanto, apesar de tudo,
continuou a
campanha de detração contra a monarquia, agora contra o Imperador: o
velho
está gagá; ele dorme o tempo todo; o Conde d'Eu e a Princesa Isabel
vão se
tornar tiranos aqui; e toda uma leva de calúnias, espalhadas por todo
o
País.

A 15 de novembro, os militares que estavam no Rio de Janeiro -
eram
uma minoria, representavam um terço do Exército Brasileiro -
proclamaram a
República. O golpe foi totalmente alheio à vontade do povo, tanto é
que eles
embarcaram a Família Imperial à noite, rumo ao exílio, para que não
houvesse
reação popular. Na partida, a Princesa Isabel passando junto à mesa
onde
havia assinado a Lei Áurea, bateu em cima e disse: "Mil tronos
houvera, mil
tronos eu sacrificaria para libertar a raça negra".

D. Pedro II recusou 5 mil contos de réis - cerca de 4
toneladas e
meia de ouro, uma fortuna - que lhe ofereceram os revoltosos, porque,
dizia, o governo não tinha direito de dispor assim dos bens
nacionais. Da.
Tereza Cristina, mal chegando a Portugal, morreu de desgosto no
Grande Hotel
do Porto. Eu estive lá alguns anos atrás, quando o hotel inaugurou uma
placa. E D. Pedro II faleceu a 4 de dezembro de 1891, no Hotel
Bedfor, em
Paris, onde uma placa recorda o passamento do ilustre hóspede. Tal
era o
prestígio que cercava sua pessoa, que a República francesa lhe
concedeu
funerais completos de Chefe de Estado.

Conde d'Eu e a Princesa Isabel compraram um palacete em Boulogne-sur-
Seine,
que é um bairro de Paris periférico mas nobre. Lá ela abria seus
salões para
os brasileiros que iam visitá-los. E não só isso. Conseguiu se impor
na
sociedade parisiense a tal ponto que nas memórias de várias pessoas,
era
quase uma rainha daquela sociedade. Era tida como a principal
personalidade
lá. Somente ela e o presidente da República podiam entrar de
carruagem no
pátio interno da Ópera de Paris.

Uma indu, que se tornaria mais tarde Maarani Karkutula,
escreve em
suas memórias, que ela via a Princesa Isabel como uma verdadeira
rainha, uma
fada. Não só isso - uma rainha, uma fada - mas, mais uma vez, com
toda a
bondade brasileira e católica, que era própria da Princesa Isabel. A
Maarani
conta que, quando menina, teve uma crise aguda de apendicite. Operada
com os
recursos incipientes da época, passou uma longa convalescença no
hospital. A
sociedade parisiense toda, curiosa, ia visitá-la. Ela dizia que se
sentia um
bichinho exótico, que as pessoas iam ver como num zoológico, e a
única que
foi visitá-la com bondade e para lhe fazer bem, foi a Princesa
Isabel. Ela
conta que a Princesa Isabel se aproximou do seu leito, agradou-a
muito,
acariciou, consolou etc. E no fim, disse: "Minha filha, eu não sei que
religião você tem. Mas sei que há um Deus que ama todas as crianças do
mundo. Aqui está uma imagem da mãe dele. Guarde-a consigo, e quando
você
estiver numa grande aflição, peça a ela para interceder junto ao Deus
verdadeiro". A Maarani não se converteu à Igreja Católica, permaneceu
pagã
até o fim da vida, mas nos momentos de apuro se ajoelhava diante da
imagem
de Nossa Senhora, que a Princesa Isabel tinha lhe dado. Porque ela
sabia que
seria ouvida.

Santos Dumont, nessa época, fazia suas experiências em Paris.
Sabendo que ele passava muito tempo no campo onde fazia seus
experimentos,
mandava-lhe farnéis para que ele não precisasse voltar à cidade para
almoçar. Certa vez, escreveu-lhe: "Sr. Santos Dumond, envio-lhe uma
medalha
de S. Benedito, que protege contra acidentes. Aceite-a e use-a na
corrente
de seu relógio, na sua carteira ou no seu pescoço. Ofereço-a pensando
em sua
boa mãe, e pedindo a Deus que o socorra sempre e ajude a trabalhar
para a
glória de nossa Pátria". E noutra ocasião: "Suas evoluções aéreas
fazem-me
recordar nossos grandes pássaros do Brasil. Oxalá possa, o Sr., tirar
de seu
propulsor o partido que aqueles tiram de suas próprias asas, e
triunfar para
a glória de nossa querida Pátria".

Muito tocante também é o fim da carta que ela escreveu para o
Diretório
Monárquico, para anunciar os casamentos de seus filhos mais velhos. O
Diretório era composto pelo Conselheiro João Alfredo Corrêa de
Oliveira,
pelo Visconde de Ouro Preto e pelo Conselheiro Lafaiete. A carta é
datada
de 9 de setembro de 1908: "Minhas forças não são o que eram, mas o
meu
coração é o mesmo para amar a minha Pátria e todos aqueles que lhe são
dedicados. Toda a minha amizade e confiança". Quer dizer, era o jeito
brasileiro, a bondade brasileira perfeitamente encarnada naquela
senhora.

Uma outra amostra de seu profundo interesse pelo Brasil está
numa
carta ao Cons. João Alfredo. O Banco do Brasil, não me recordo agora
no
período de qual presidente, estava num descalabro propriamente
republicano:
desordem completa; contas não estavam acertadas; funcionalismo
completamente
rebelde. E o presidente da República concluiu então que o único que
teria
inteligência, força, garra e pulso para pôr ordem ali seria o Cons.
João
Alfredo, e o convidou a assumir a presidência do Banco do Brasil. João
Alfredo respondeu: "Eu sou monarquista, e portanto só posso aceitar
esse
cargo se a minha Imperatriz autorizar". Escreveu à Princesa Isabel,
explicando o caso, e ela respondeu: "Para o bem de nossa Pátria, o
Sr. deve
aceitar". João Alfredo assumiu a presidência do Banco do Brasil, pôs
em
ordem o funcionalismo, pôs em ordem a contabilidade. Pagou todos os
atrasados, todas as dívidas, deixou tudo em perfeito estado. Depois
pediu
demissão e morreu pobre, porque não levou um tostão daquela gestão.
Outros
tempos! Hoje em dia... (risos...)

Agora uma carta da Princesa Isabel à irmã de um monarquista
eleito
deputado, Ricardo Gumbelton, de uma boa família, muito conhecida.
Ele não
queria aceitar o cargo de deputado, e a princesa Isabel diz: "Não
concordo,
absolutamente! Diga ao seu irmão que ele deve aceitar a cadeira de
deputado
e propugnar pela grandeza moral, econômica e social de nossa Pátria.
Não
aceitando é que ele estará procedendo de maneira contrária aos
interesses da
coletividade. Não nos deve importar o regime político sob que esteja o
Brasil, mas sim conseguir-se colaboradores de boa vontade capazes de
elevar
o nosso País. De homens como ele é que o Brasil precisa para ascender
mais,
para fortalecer-se mais. Faça-lhe sentir que reprovo sua recusa". Quer
dizer, o bem do Brasil estava acima dos interesses próprios.

Ela ainda viveu até 1921. Cada vez mais fraca, mas sempre com
aquela
grande classe, com aquele grande porte. Nas fotografias dela no
exílio, ela
tem um porte imperial que não tinha aqui no Brasil. No infortúnio, a
noção
da missão dela foi se cristalizando cada vez mais, e ela era
realmente,
nessas fotografias, uma imperatriz. No batizado de meu pai - pena que
eu não
tenha aqui a fotografia, que gostaria de apresentar para as senhoras
e os
senhores - ela é uma senhora de uma nobreza e de uma categoria
impressionantes. E foi assim até o fim da vida.

Morreu sem poder voltar ao Brasil. Ela representou na França
o que
havia de melhor no Brasil. Muito mais do que nosso corpo diplomático,
muito
mais do que nossos homens de negócio, ela foi um exemplo do que o
Brasil era
ou deveria ser. E a França entendeu isso. Assis Chateaubriand, em
Juiz de
Fora, a 28 de julho de 1934, escreveu: "Apagada a sua estrela
política,
depois de vencida a tormenta da abolição, ela não tinha expressão
dura, uma
palavra amarga para julgar um fato ou um homem do Brasil. No mais
secreto
de seu coração, só lhe encontrávamos a indulgência e a bondade. Este
espírito de conduta, esse desprendimento das paixões em que se viu
envolvida, era a maior prova de fidelidade, no exílio, à pátria
distante.
Mais de 30 anos de separação forçada não macularam a alvura dessa
tradição
de tolerância, de anistia aos agravos do passado, que ela herdara do
trono
paterno".

Faleceu no castelo d'Eu. Apagou-se suavemente, docemente. Aí
sim, a
República reconheceu o que o Brasil tinha perdido. Epitácio Pessoa
determinou três dias de luto nacional, e que fossem celebradas
exéquias de
Chefe de Estado. Também a Câmara Federal votou que seu corpo fosse
trazido
para o Brasil num vaso de guerra, o que só se realizou em 1953. Em 13
de
maio de 1971, seu corpo e o do Conde d'Eu foram levados solenemente à
catedral de Petrópolis, e lá repousam à espera da ressurreição dos
mortos e
do juízo de Deus.

Essa era a grande mulher que nosso Brasil tinha. Ela não foi uma
grande
intelectual. Foi uma princesa até o fundo da alma. Foi uma patriota
até o
fundo da alma. Uma senhora que sabia que tinha nascido para o bem de
um
país, e encarnou essa missão na Pátria e no exílio até o fim da vida.
Foi um
exemplo de princesa, um exemplo de imperatriz, um exemplo de
católica. Ela
foi o tipo perfeito do que deveria ser a mulher brasileira. (aplausos)

Se houver alguma pergunta, estou à disposição.

Aparte: V. Alteza antecipou alguma coisa na palestra, mas faço apenas
um
comentário, por curiosidade. É a respeito dessa medalha que foi
encaminhada
ao Santos Dumont, porque se propagava que Santos Dumont era um homem
ateu.
Mas, na verdade, essa medalha - na tradução constou como medalha de
S.
Benedito, mas é uma medalha de S. Bento - ele a usou no pulso direito
até o
fim da vida, e ele mostrava essa medalha. Talvez, quem sabe, Deus
tenha
tocado a alma dele, de algum modo.

D. Luiz: Quem sabe. Deus queira! Isso mostra quanto a Princesa Isabel
representava para os brasileiros, e neste caso um brasileiro de
escol!

Aparte: Ele mandou fazer uma cópia em ouro dessa medalha, e a deu de
presente à primeira aviadora brasileira, Anésia Pinheiro Machado, que
tinha
sido brevetada com apenas 18 anos de idade. Ela usou também a medalha
até o
fim da vida.

Aparte: Não foi apenas coincidência a lei do banimento ser extinta
somente
após a morte dela. Porque, se a Princesa voltasse para o Brasil em
vida,
certamente a República balançaria.

D. Luiz: É preciso dizer o seguinte. Em 1920 houve umas comemorações
no
Brasil em que foram convidados os membros da Família Imperial, e ela
poderia
ter vindo, mas a saúde dela estava tão alquebrada que ela não pôde
empreender a viagem. Vieram o Conde d'Eu e alguns membros da Família
Imperial.Ela praticamente já não teria mais atuação aqui no Brasil.
Mas o
problema para a República era meu avô, D. Luiz de Orleans e Bragança,
o
chamado Príncipe Perfeito. Ele era muito empreendedor, com muita
garra,
muito pulso, muito inteligente, muito culto, muito viajado, e a
República o
temia. Foi só depois da morte dele, em 1921 também - antes do
falecimento da
Princesa Isabel, em conseqüência de uma doença adquirida no fronte da
I
Guerra Mundial - que a República se sentiu segura para abolir a lei
do
banimento.

Por ocasião das comemorações da Independência, em 1922, o Conde d'Eu
veio
com minha avó paterna, meu pai e seus irmãos, e também com o filho D.
Pedro
de Alcântara, que tinha renunciado ao trono. Ele veio aqui por um
sentimento
de dever para com o Brasil também, porque com a renúncia de D. Pedro
de
Alcântara era perigoso que, apesar disso, se formassem partidos,
principalmente tendo meu avô morrido. Então o Conde d'Eu fez questão
de vir
aqui para apresentar meu pai como herdeiro legítimo da Princesa
Isabel. Ele
veio apesar de seus médicos desaconselharem formalmente a viagem. De
fato,
ele morreu a bordo do navio, antes de chegar ao Rio de Janeiro. Sua
atitude
foi de um soldado indo ao campo de batalha, sabendo que poderia
sacrificar
sua vida para o bem da Pátria.

Fim da mensagem encaminhada ---

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